Entrevista com o pescador Alan-David Mundy, adaptada por William Park, publicado originalmente em inglês na BBC.

Alan-David Mundy é um pescador das ilhas do Canal da Mancha que vendia suas lagostas por todo o mundo até o coronavírus fechar os mercados. Ele e seu colega pescador encontraram uma outra maneira de chegar até os consumidores. 

“Eu não acho que todo mundo entendeu o tamanho do impacto que o coronavírus pode ter. Claro que existe uma preocupação, as pessoas estão muito preocupadas. Jersey é uma comunidade pequena e não tem muitas alternativas de empregos ou de onde pegar sua comida. 

Normalmente, podemos exportar a maioria do que pescamos, mas agora não podemos mais. Eu acho que a maioria das exportações de Jersey vão para a Espanha, França e Itália. Algumas chegam até a China, tenho certeza. Sem esse mercado, os pescadores estão perdidos. 

Agora, meu dia de pesca está pela metade porque a única opção que temos é vender diretamente para os consumidores. 

Estou usando um grupo no Facebook que chama “Mercado de peixe alternativo de Jersey” há quatro semanas. Eu acho que ele já existe há mais tempo. Foi criado por um homem incrível chamado Jez Strickland. Eu não acho que ele é pescador, mas é só um membro da comunidade com um coração grande.

Jez adiciona as pessoas na lista de fornecedores e falamos para ele o que pegamos no dia de pesca. Nós saímos, pescamos, e agora podemos colocar os produtos no Facebook antes mesmo de sair do barco. Depois, as pessoas nos ligam e vêm até a marina para receber o que compraram – caranguejo, ostras e eu vendo lagosta. 

Eu acho que o suporte da comunidade na ilha funcionou. Nós precisamos de uma fonte de renda. Eu só faço parte da tripulação, mas isso ajuda a pagar o aluguel das pessoas. Não podemos exportar, como normalmente fazíamos, mas agora podemos vender localmente. 

Isso vai continuar assim?

Claro que sim! Tomara que isso signifique que todos os pescadores terão um pequeno grupo de consumidores locais depois disso. Você poderá conhecer o pescador e encontrá-lo. Pode ser ótimo para todos nós. 

Sempre falo para os meus clientes: se você não se importa, me envie uma foto e eu colocarei no Facebook para mostrar para as pessoas como é fácil usar esse produto. Cozinhar lagosta é como cozinhar macarrão. As pessoas estão aprendendo como fazer. Eu tento colocar alguns posts no Facebook e falar que é muito fácil. As pessoas olham para elas e falam que parecem boas!

Mas as pessoas estão sendo afetadas. O mercado de exportação para a Espanha e França está fechado. Esses países não querem importar nossos produtos e é para onde a maioria deles iria. O mercado local de peixes está sofrendo enquanto pessoas ficam em casa, então os consumidores estão comprando diretamente dos pescadores agora. Eu não acho que é justo, o mercado também é um negócio local. Tem causas e efeitos. Pescaria é um grande negócio e eu só conheço uma pequena parte dele. 

Um sentimento de comunidade foi criado. Eu venho de uma geração que sabia cozinhar caranguejo e lagosta. As pessoas não sabem como fazer isso atualmente, mas estão aprendendo no Facebook. As pessoas agora querem comprar de produtores locais, isso ajuda.” 


Esse artigo é parte do Follow the Food , uma série que investiga como a agricultura está respondendo aos desafios ambientais. Follow the Food procura respostas para esses problemas, tecnológicos ou não, local e globalmente, de produtores, fazendeiros e pesquisadores nos seis continentes. 

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