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Com altas consecutivas na inflação, brasileiros buscam alternativas

Com as seguidas altas na inflação ininterruptas desde 2020, os valores de diversos itens básicos, como comida, gasolina e conta de luz, estão mais altos do que nunca. Por esse motivo o povo brasileiro está acabando por consumir menos, levar menos itens básicos para casa mesmo com um gasto que só aumenta devido aos aumentos seguidos na inflação que sobe o valor dos produtos.

Os dados recentemente coletados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontaram que, no mês de junho, as vendas no setor de varejo do país caíram em volume 1,7% se comparado ao mês anterior. Foi uma redução grande e que causou surpresa nos economistas, que não previam números tão baixos para um mês em que o comércio e os serviços estavam sendo reabertos.

Por outro lado, no entanto, o faturamento do setor em junho subiu, de acordo com o IBGE a alta foi de 1,5%. Isso quer dizer que mesmo os consumidores comprando menos coisas, eles gastaram mais. Esse fato não necessariamente indica que os lojistas estão tendo seus lucros ampliados, uma vez que os produtos que chegam da indústria também estão chegando ainda mais caros para eles.

“É o caso clássico em que a conta no final do mês é a mesma ou maior, mas o carrinho vai ficando mais vazio”, afirmou Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Comida e gasolina foram os mais afetados pela inflação

O fenômeno ficou mais evidente em dois setores básicos e foram também os setores que tiveram maiores aumentos de preços desde o começo da pandemia de Covid-19, os setores de alimentos e de combustíveis.

Os gastos dos brasileiros com os supermercados cresceram 1,1% no mês de junho, segundo a pesquisa de varejo do IBGE, no entanto os cidadãos estão comprando em volume 0,5% menos produtos.

Já no mês de julho, o valor dos alimentos nas prateleiras estavam 16% mais caros que no último ano. As carnes, o arroz e o óleo de soja foram os produtos que tiveram altas muito significativas no ano passado, o que gerou muitas reclamações dos consumidores, porém nesse ano eles seguem em alta, estando 34%, 40% e 84% mais caros respectivamente.

Já nos postos de gasolina, a diferença entre o que o consumidor está pagando e o que está levando vem se tornando ainda maior. No mês de junho, os lucros subiram 0,8%, enquanto o total de litros comprados pelos motoristas caiu cerca de 1,2%. O preço do etanol nas bombas subiu 57%, por estar tendo que competir com a disparada na exportação de açúcar.

Já a gasolina, sendo impulsionada pelo preço do dólar e do barril de petróleo no cenário mundial, vem sofrendo uma série de reajustes pela Petrobras, a principal fornecedora do país. Em apenas um ano, a alta encontrada pelo IPCA nos postos é de cerca de 40%.

Substituição de carnes por ovos e marcas mais baratas

Cada vez mais, o desafio de manter tudo dentro do orçamento vem aumentando para os brasileiros, os cidadãos não só diminuíram o número de itens que estão comprando, como também estão realizando mais pesquisas sobre preços e substituindo os itens que são possíveis de se substituir.

Pesquisas realizadas pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) revelam que a procura por marcas menos famosas de produtos básicos do dia-a-dia como arroz, óleo e produtos de limpeza, está aumentando muito.

“O preço de um pacote de arroz varia de R$ 16 até R$ 30 entre uma marca e outra, é o dobro”, afirmou o vice-presidente institucional da Abras, Márcio Milan. “O consumidor se acostuma a comprar a mesma marca e demora para decidir por trocá-la, mas ele já está fazendo isso, e as próprias redes estão buscando mais marcas para poder oferecer aos clientes mais alternativas que caibam no bolso.”

Os números da Abras também mostram que as consecutivas altas na inflação fez com que a busca por carnes mais baratas ganhasse espaço em relação aos cortes nobres. Enquanto a procura por ovos está acelerando e se tornando mais rápida que a busca por frango, por exemplo.

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