Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

O preço das ações da Amazon atingiram um novo recorde histórico nesta terça-feira, quando a pandemia de coronavírus catapultou a empresa para receber uma demanda sem precedentes em toda sua história.

As ações estavam sendo negociadas em torno de US$ 2.242 na manhã de terça-feira, alta de cerca de 3% em relação ao seu fechamento anterior. A última vez que a Amazon atingiu uma alta histórica foi em fevereiro, quando fechou em US$ 2.170,22  por ação. O valor de mercado da Amazon agora é superior a US$ 1,1 trilhão.

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Ações da Amazon no gráfico diário. Fonte: TradingView

A crise do Covid-19 e as ordens de ficar em casa para combater o vírus colocaram a Amazon em uma posição única para entregar mercadorias a pessoas em todo o mundo que não podem ou não vão às compras em lojas físicas. A Amazon disse que contrataria 75.000 trabalhadores a mais de armazém e entrega para acompanhar a crescente demanda.

Amazon pode reter clientes

Quando a vida voltar a algum senso de normalidade, a Amazon poderá acabar retendo clientes cuja lealdade ganhou durante a crise. As circunstâncias colocaram muitos americanos em posição de confiar na Amazon e em outros serviços de entrega para atender às suas necessidades. 

Especialistas acreditam que levará meses após a fase inicial da crise para que as pessoas se sintam confortáveis ​​em retornar a grandes locais de reunião, como supermercados e shopping centers.

Mas a demanda também veio com sua parcela de críticas. Os funcionários do armazém da empresa protestaram contra as condições nas instalações e exigiram melhores proteções contra o coronavírus. 

Nem tudo são flores

A Amazon demitiu um organizador de protestos. A empresa disse que o trabalhador quebrou as diretrizes de distanciamento social repetidamente e se recusou a ficar em quarentena depois de entrar em contato com um associado que testou positivo para o vírus.

O manifestante, Chris Smalls, disse em um comunicado na época: “A Amazon prefere demitir trabalhadores do que enfrentar seu total fracasso em fazer o que deve para manter a nós, nossas famílias e nossas comunidades em segurança”.

O Washington Post informou na segunda-feira que a Amazon havia demitido mais dois trabalhadores que se manifestaram contra a empresa, que um porta-voz disse à emissora devido a violações repetidas das políticas internas.

A Amazon também chamou a atenção de formuladores de políticas e agentes da lei por causa da moderação de vendedores terceirizados que procuram explorar a crise elevando os preços. 

Um grupo de mais de 30 procuradores-gerais do estado convocou a Amazon e outras plataformas no final de março para implementar políticas que impedissem a manipulação de preços de produtos relacionados ao coronavírus.

Mudança de paradigma

Marlon, um de nossos colunistas, já havia chamado atenção para as mudanças de paradigma que o Coronavírus já está provocando: aceleração da transição do mundo físico para o digital. Empresas tenderão ser digitais e utilizar o home office em maior escala, tornando menos necessário o espaço físico.

O exemplo das ações da Amazon deixa esse cenário mais claro. Empresas vão começar a descobrir o meio digital e trabalhar com entregas, tornando menor a necessidade de alugar um imóvel e contratar vendedores. A produtividade será a principal meta.

Isso significa que ambientes corporativos e shopping centers se tornarão menos necessários para o futuro. A economia deverá convergir para um melhor aproveitamento de recursos e produtividade. Projetos que não acrescentam e são custosos tenderão a deixar de existir. 

Ainda devemos ver para os próximos anos uma mudança de comportamento e de perfil de consumo, principalmente da geração mais nova. O Coronavírus está sendo um evento que vai provocar a ruptura do “tecido econômico”, que fará com que vários conceitos financeiros, empresariais e sociais sejam revistos.

Em momentos de ruptura, recessões vão acontecer. O FMI já está esperando a maior crise econômica desde 1929. Tudo indica que passaremos por uma crise secular que promete mudar inclusive a dinâmica geopolítica mundial, questionando a posição dos Estados Unidos como nação dominante.

Adaptado de CNBC

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