Varejo tem resultados de pré-pandemia, mas ações continuam em queda

O varejo é um setor da economia onde investidores conseguem acompanhar de perto e sentir na pele suas movimentações. Desde o início da pandemia, empresas do varejo vem buscando soluções para mitigar os problemas causados e ainda apresentar lucro. De fato, o segundo trimestre de 2020 foi caótico para o setor, onde empresas apresentaram grandes prejuízos.

Contudo, já no segundo semestre do ano passado, as varejistas apresentavam melhora em seus resultados. Os resultados foram bastante impulsionados pelo auxílio emergencial e pelas plataformas de ecommerce desses varejistas. Os resultados refletiram nas ações, principalmente nas varejistas que tinham um processo de transformação digital avançado. 

Sendo assim, embora os resultados deste ano sejam positivos e o setor como um todo apresente desempenho pré-pandemia, as ações do setor estão despencando. Com isso, nesse artigo, iremos analisar alguns motivos que podem ter levado as ações do setor a chegarem no estágio atual. Além disso, também iremos apresentar as perspectivas de futuro para as empresas do setor.

Aumento da Taxa Selic e Inflação

Varejo

Historicamente, o varejo é um dos setores que mais sentem o impacto da variação da Selic. Com isso, os sucessivos aumentos de nossa taxa básica de juros e expectativa de mais altas pelo Copom, as reações de investidores já são sentidas.

Além disso, a alta da inflação vem pressionando e diminuindo a capacidade de consumo das famílias. Nesse sentido, estas passam a dar preferência ao consumo de itens essenciais. Um outro fator é que, ao longo de 2020, o valor do auxílio emergencial foi maior em relação a 2021, impulsionando vendas no varejo

Nesse sentido, já em 2021, com o aumento da inflação e diminuição do valor do auxílio, a utilização do auxílio ficou comprometido também aos itens mais básicos. Com isso, o que podemos observar é que há dificuldade do consumidor de manter o padrão de compra. Sendo assim, o mercado vem precificando essa turbulência nas ações.

Veja também: Ataques ransonware e seus impactos nas empresas

Resultado de trimeste pior do que esperado

Um outro fator analisado é que, segundo consenso, a expectativa de alta para as vendas em junho era de 0,7%. Contudo, o observado foi uma queda de 1,7%, quebrando dois meses de crescimento consecutivos. A queda foi liderada pelo setor de vestuário e calçados, acumulando perdas de 3,6% no período.

Embora os resultados estejam abaixo do esperado, o varejo ainda se encontra 2,6% acima do patamar pré-pandemia. Nesse ponto, o que tem assustado investidores é que, em comparação ao ano passado, o crescimento de junho é considerado fraco.

Nesse sentido, acompanhando o desempenho de setor, os resultados de empresas como Americanas, Via e Magazine Luiza também decepcionaram. Todas elas apresentaram valores aquém do esperado pelo mercado, acelerando perdas em seus papéis.

Avanço da variante Delta

Como já sabemos, a vacinação está sendo acelerado em nosso território. Para muitos, isso tem criado expectativa de plena reabertura da economia. Contudo, na prática, e acompanhando o que vem acontecendo mundo a fora, estas expectativas vêm sendo ajustadas. O motivo é a crescente de casos da variante Delta.

Desse modo, o mercado vem acompanhando o avanço da variante. Por exemplo, no Rio de Janeiro, a nova variante já representa mais de 50% dos novos casos. Já se fala em terceira onda e também em terceira dose para combater o avanço da doença.

Com isso, embora o ecommerce venha avançando, o varejo ainda depende de seus canais físicos de venda. Inclusive, varejistas apontam que locais que possuem unidades físicas da marca, costumam vender mais no ecommerce para clientes da localidade.

Rotação de carteiras

Sendo assim, com resultados frustrantes e expectativas abaixo da média, investidores tem realizado a troca de ativos em suas carteiras. Por exemplo, com a aceleração da Selic e expectativa de mais altas, investidores tem preferido alocar seus recursos em ações de bancos e seguradoras.

Desse modo, todo o setor financeiro da bolsa é beneficiado. O motivo é que, quanto maior a taxa de juros, maior a receitas com juros cobrados aos clientes. O que também aumenta a lucratividade destas empresas. Com isso, há preferência sobre alocar recurso em empresas que se beneficiam do atual cenário econômico brasileiro.

Estratégias das empresas

Embora o “caos” esteja sendo precificado nas ações do varejo, os resultados, em si, não são ruins. Especialistas apontam que há bastante terreno de crescimento. Inclusive, as varejistas seguem com seus planos de aquisições para incrementar principalmente sua logística. 

Além disso, a atual concorrência no varejo disputa clientes utilizando como parâmetro a velocidade de entrega. Com isso, considerando a expectativa de que, após a pandemia, as pessoas tendem a realizar mais compras online, esta estratégia passa a ser uma premissa.

De mesmo modo, acompanhando a melhora da rede logística, as empresas também têm acelerado sua transformação digital. A ideia é que os canais de ecommerce possam suportar toda a demanda e representar a melhor experiência possível para o consumidor.

Veja também: Via Varejo faz alteração de nome para Via

Expectativas

Embora a variante delta cause preocupações, a expectativa é que, com o avanço da vacinação, resultados melhores também virão. Essa expectativa é motivada ao observar dados do exterior, onde uma demanda reprimida pelo vestuário passou a atuar. Além disso, também tem indícios de “compras por vingança” no exterior

Além disso, a retomada das atividades econômicas deve fatalmente resultar em aumento dos postos de trabalho. Com isso, haverá maior dinheiro em circulação, o que implica em maior gasto nos demais setores do varejo.

Conclusão

Na iminência da reabertura plena da economia, o varejo se apresenta como um dos principais beneficiários para ter resultados positivos. Embora existam algumas problemáticas, já situadas neste texto, acredita-se que isso já tenha sido precificado nas ações das varejistas. Mas com a queda vertiginosa das ações do setor, estas se apresentam como boas opções. 

Sendo assim, no curto e médio prazo, especialistas apontam que estas ações já tenham melhor desempenho. Para tentar prever esse comportamento, pode ser utilizado dados de economias onde a vacinação esteja bastante avançada. Nesse sentido, estes países já apresentam uma abertura quase total da economia, sendo bons parâmetros de comparação. 

Com isso, acompanhe as principais varejistas e busque diversificar suas ações nos diversos setores do varejo. Podendo ser eles de vestuário, supermercados, lojas de móveis e decoração, farmácias etc. Estas terão comportamento bastante diferente entre si, onde algumas dependem mais da reabertura econômica do que outras.

Veja também: A logística de entrega do varejo determinará quem está preparado

Total
0
Shares
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Posts