Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

A recuperação da economia brasileira é evidente. Após conviver com alta inflação e juros (ambos de dois dígitos percentuais) em uma grave recessão, a economia finalmente está voltando aos trilhos.

 A taxa de juros caiu de 14,25% para 4,25% em 4 anos, novos empregos estão sendo criados e a inflação está controlada na faixa dos 4% ao ano. A inflação mensal está nos menores níveis desde o início do Plano Real.

Com a melhora dos indicadores econômicos, a confiança do mercado fica em alta, o que é fácil de constatar ao olhar para o Ibovespa, índice da bolsa brasileira. Além disso, alguns dados do último Boletim de Mercado da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), mostram a força nesse novo ciclo de alta da bolsa.

A taxa de juros também contribuiu para aquecer o mercado financeiro. As pessoas que viviam de renda da poupança e renda fixa estão sendo obrigadas a buscar investimentos mais arrojados. E é aí que entram os Agentes Autônomos de Investimentos, Fundos, Corretoras e gestoras.

Número de Agentes Autônomos de Investimentos (AAI)

O relatório da CVM aponta um crescimento sólido no número de Agentes Autônomos de Investimentos em território brasileiro. Ao final de 2018 haviam 7.778 profissionais habilitados. No final de 2019 o número saltou para 10.798, um crescimento de 38,82% em 1 ano.

agentes autônomos de investimento
Fonte: Boletim de Mercado – CVM

Logo, quanto mais o mercado financeiro estiver aquecido, maior será a demanda por estes profissionais. Em tempos de crise, estes são os primeiros a se retirarem do mercado, pois o fluxo de clientes diminui, porque estão movendo para a renda fixa.

Os Agentes Autônomos exercem uma função comercial de captação e de prospecção e captação de clientes; de recebimento e registro de ordens de investimentos e negociações; e de prestação de informações acerca dos produtos e serviços oferecidos pelas corretoras.

Eles podem ser constituídos em Pessoas Físicas ou Jurídicas, trabalhando em parceria com uma corretora como a XP Investimentos ou trabalhando por conta própria, cuidando de sua carteira de clientes.

Os números dos Fundos de Investimentos

O número de fundos de investimentos também pode ser um excelente indicador de força no mercado financeiro. Quando o fluxo sai da poupança para a renda variável, os fundos são os principais responsáveis por receberem esses novos investidores. 

Teoricamente, os fundos são compostos por profissionais qualificados que devem buscar cumprir as metas de montar uma carteira que supere algum benchmarking (Taxa de Juros ou Ibovespa). Portanto, eles são atraentes para quem está começando e não sabe montar uma carteira de ações.

É preciso entender que os fundos são os mais “elásticos” aos ciclos do mercado. O número de fundos aumenta bastante em ciclos de alta, mas esse número pode encolher em grande velocidade em cenários de baixa. 

O boletim da CVM mostra um crescimento importante no número de fundos. Em relação ao ano passado, esse número cresceu mais de 9,64%, tendo sido o terceiro ano seguido em alta.

Fonte: Fundos de Investimento no Brasil – Boletim de Mercado CVM

Número de plataformas de Equity Crowdfunding

Crowdfunding funcionam como uma “vaquinha online”, onde pessoas podem se reunir e doar dinheiro para outras pessoas ou empresas. Com isso, não demorou muito para que surgisse a modalidade de Equity Crowdfunding, que funciona como uma forma de IPO para pequenas empresas que estão precisando de dinheiro, mas valendo participação societária.

Em 2018, haviam 14 plataformas online de Equity Crowdfunding, um ano depois eram 26. Esse número diz algo muito importante: o apetite por risco do investidor está aumentando. 

Juros em baixa e empréstimos baratos estimulam rodadas de arrecadação nestas plataformas. Levantar dinheiro fica mais fácil tanto para investidores quanto empreendedores, o que deixa evidente a alta liquidez na economia brasileira.

Expectativas de IPO

O mercado espera um novo recorde no número de arrecadação com IPOs, isto é, empresas abrindo capital na Bolsa de Valores. Com o Ibovespa em alta, ações de algumas empresas começam a ficar caras em relação aos seus fundamentos. Com isso, os investidores passam a buscar mais risco e ir atrás de ações smallcaps e IPOs.

Em 2020, espera-se superar os R$ 120 bilhões em captação, contra R$ 80 bilhões no ano de 2018. Caso isso se confirme, seria mais uma clara demonstração de força do atual ciclo de alta na bolsa e na economia brasileira.

Países com a economia aquecida passam por um grande período com IPOs. Nesse cenário, empresas estão crescendo e investidores estão querendo diversificar, o que acaba unindo o útil ao agradável. 

O ciclo da economia brasileira continua?

Ciclos econômicos acontecem em diferentes fases: recessão, recuperação, boom e perda de força. Os dados macroeconômicos sugerem que estamos passando por uma recuperação da economia brasileira.

Indicadores Econômicos 20152020Diferença
Inflação10,67%3,40%-68%
Taxa de juros14,25%4,25%  -70%
Risco país49398  -80,12%
Ibovespa38.000 pontos116.055 pontos  305,41%

As expectativas são excelentes e acabam sendo precificadas pelo mercado. Os dados do Boletim de Mercado da CVM confirmam o quanto a economia e o mercado financeiro estão aquecidos. A tendência é que a economia passe a crescer mais nos próximos anos. Será que finalmente chegou a vez do Brasil?

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