Padrões gráficos no mercado financeiro: como usar a seu favor

O objetivo de todo investidor, dentre outras coisas, é primariamente fazer com que seu dinheiro investido em algo possa lhe retornar bons lucros, sejam eles no curto, médio ou longo prazo, dependendo de como ele enxerga seu perfil ideal de investidor e a forma com que se vai escolher o melhor momento para compra e venda de ativos.

Dentro das operações de ações, opções, commodities e dentre outras possibilidades de investimentos, temos diversas formas de operar esses ativos. Dentre eles, está uma das principais metodologias, que é justamente a análise gráfica.

A análise gráfica, por sua vez, é feita utilizando-se um conjunto de fatores que descrevem o comportamento dos preços de um ativo. Esses fatores estão relacionados a forma com que ocorrem as variações desse preço, de modo que seja possível observar padrões nos gráficos formados, e assim, possibilitar previsões a respeito do comportamento futuros dos mesmos.

Essa forma de analisar ativos, se dá através de uma técnica denominada price action, ao qual se analisa a ação dos preços, como o próprio nome sugere. Através de gráficos representados por candlesticks, é possível encontrar padrões nos próprios candles ou ainda, um conjunto deles, que formam figuras que possam mostrar um viés de baixa ou de alta para o comportamento dessas cotações.

Há um série de padrões de candlesticks, aos quais exigem um treinamento mental para que se possa familiarizar-se com eles, de modo que quanto mais rapidamente percebermos esses padrões, maior a probabilidade de acertar no time da operação e obter resultados ainda mais condizentes com o que o gráfico demonstra.

Obviamente que assim como qualquer técnica do mundo dos investimentos de renda variável, a análise gráfica e seus padrões não podem prever de forma perfeita o comportamento futuro de um ativo, embora possam demonstrar a tendência do mercado com uma maior chance de acerto na compra e venda.

Atrelar a análise gráfica com outras formas de estudo, como análise fundamentalista, análise técnica e o acompanhamento diário do mercado financeiro por meio de notícias, pode aumentar ainda mais as ferramentas para se operar ativos, de modo que, quanto mais indicativos de alta ou baixa um ativo possui, mais chance de sua tendência realmente acontecer na prática.

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Padrões de candlestick de reversão

Primeiramente, é preciso entender que os padrões de candlesticks estão inteiramente relacionados com os padrões de figuras gráficas. Sendo assim, é preciso a princípio entender quando os candles estão indicando uma tendência de alta e quando estão mostrando uma tendência de baixa, de acordo com o tipo de padrão que ele formar.

De forma sucinta, podemos relembrar e destacar alguns padrões de candlesticks com viés de alta, ou seja, que quando formados, mostram que a tendência do mercado é que o preço cresça logo em seguida. 

Os principais deles são: Engolfo de Alta, Doji (abaixo), Martelo, Martelo Invertido, Marubozu de alta, Harami de alta, Piercing Line e Kicker de Alta. É possível representar cada um desses padrões de candles através da imagem a seguir, de modo que cada candle com corpo branco representa uma alta no preço e o preto representa uma baixa:

padrões de reversão candlestick

Um dos fatores que podem confirmar e trazer ainda mais um viés de alta para a operação, é que se após esses candles serem formados, um novo candle de alta começar a se formar, principalmente acima do preço de fechamento do último candle branco de cada figura, talvez seria o momento ideal para que o analista gráfico esteja posicionado em comprar o ativo.

É importante frisar que esses padrões vão acontecer no fundo de uma parte do gráfico, ou seja, após o gráfico ter apresentado uma baixa nos preços, sendo assim, esses padrões representam uma reversão de uma baixa para um viés de alta, nos confirmando que a tendência dos preços é que eles subam após isso.

Quando esses padrões acontecem, a tendência gráfica é de que os preços sejam elevados, o que não necessariamente nos dá uma certeza de que isso realmente vai acontecer, porém, pelo método apresentado, aliado juntamente com outros conceitos, muitos investidores conseguem ótimos resultados de valorização no seu ativo.

Apesar dos diversos nomes de padrões que foram apresentados e também dos que ainda vão ser, é importante que o investidor não se prenda muito a essas nomenclaturas. O mais importante, é que se saiba localizar os momentos em que cada um deles acontece para se realizar uma operação com maior probabilidade de acerto.

De forma análoga, podemos relembrar os principais padrões de candles com tendência de baixa, ou seja, que levam a se prever que os preços têm uma maior possibilidade de cair, após esses padrões terem ocorrido.

Os principais padrões de candles baixistas que podemos citar, são eles: Engolfo de Baixa, Doji (acima), Shooting Star, Enforcado, Marubozu de Baixa, Harami de Baixa, Tempestade e Kicker de baixa. Esses padrões podem ser melhor visualizados quando observados pelas ilustrações a seguir:

padroes de reversão candlestick

Os padrões de candles de baixa acabam sendo semelhantes ao de alta, com exceção de alguns novos nomes, porém aqui eles se dão de forma contrária, geralmente invertendo os candles de posição.

Além disso, esses candles estão simbolizando na verdade uma tendência de reversão nos preços, mas nesse caso, a mudança de uma alta nos preços para uma baixa, de forma que os preços tem a maior probabilidade gráfica de cair, após isso.

Dessa maneira fica fácil entender que estes padrões vão acontecer justamente em um topo do preço, ou seja, acima dos preços que estão antes e depois deles, demonstrando no gráfico um formato “morrinho”.

Levando isso em consideração, se os preços têm uma tendência nesse caso a cair, é importante que o investidor entenda que esse seria o momento para se pensar na venda do ativo. Outra possibilidade, caso a tendência de baixa seja ainda mais certa, é que se possa operar vendido mesmo sem ter comprado anteriormente, ou seja, fazer uma venda a descoberto ou também como podemos chamar de short.

A confirmação da tendência, ou pelo menos o aumento das chances de que ela vai ocorrer, pode ser acompanhada por um leve candle de baixa logo após o último candle preto de cada uma das figuras, principalmente se estiver abaixo do preço de fechamento dele.

Foi dito que os padrões de reversão de alta ocorrerão em fundos do gráfico, assim como os padrões de reversão de baixa vão acontecer em topos:

topos e fundos

Como podemos observar, a demonstração de topos e fundos é facilmente visualizada dentro de um gráfico, exceto se o comportamento deste esteja voltado para uma tendência lateral, ou seja, o gráfico acaba andando de lado com os candles de alta e baixa, e dessa forma, fica um pouco mais díficil de se observar e prever alguns padrões.

Padrões gráficos: figuras

Enquanto os padrões de reversão de candlestick nos demonstram pontos específicos do gráfico para prever tendências, há ainda a formação de figuras, que têm o mesmo objetivo, porém de um ponto de vista mais geral do gráfico que se está analisando.

O conjunto de padrões de candles é que vão acabar formando todas as estruturas gráficas ilustrativas que nos indicam se o mercado daquele ativo está em uma tendência de baixa dos preços ou de alta.

Temos dois tipos de figuras dentro da análise gráfica: As figuras que podem representar tendências de continuidade, e as figuras que demonstram uma tendência de reversão. As de continuidade mostram uma pausa na tendência que vinha ocorrendo anteriormente, seja de alta ou baixa, mas que após essa pausa tem uma probabilidade maior de continuarem seguindo o padrão anteriormente visto.

Isso significa que se o ativo estava em uma tendência de alta, após sua pausa e quebra dessa alta, ele voltará a subir logo em seguida. A mesma coisa vale se a tendência do ativo anteriormente vista em relação a pausa seja de baixa.

Já as figuras de reversão, como o próprio nome diz, elas vão demonstrar uma mudança na tendência. Sendo assim, se um ativo está em processo de alta do preço, o demonstrativo de uma figura de reversão indica que o preço pode se reverter para uma baixa. De forma análoga, se um ativo está em processo de baixa, ele vai acabar se revertendo para uma alta.

Figuras de reversão 

As duas primeiras figuras de reversão que temos nos gráficos são: O canal de alta e o canal de baixa. O canal de alta é uma conformação do gráfico ao qual apresenta topos e fundos ascendentes, desse modo, podemos traçar uma linha em cima e embaixo do gráfico, de modo a observar esse canal de alta, ou melhor, as linhas de suporte e resistência do intervalo analisado.

figuras de reversão

O canal vai seguindo sua tendência de subida no gráfico, até que ele tende a se quebrar e obter uma baixa assim que houver o rompimento da linha de tendência de alta (LTA) logo abaixo do gráfico. Dessa maneira é possível prever uma queda que corresponde de forma aproximada a distância entre a linha de canal (resistência) e a linha de tendência de alta (suporte).

Já o canal de baixo, ele vai se dar de uma forma lógica muito semelhante ao de alta, porém de forma inversa. Sendo assim, após a sucessão de topos e fundos descendentes, com a introdução das linhas de canal e de tendência, é possível saber o momento de reversão.

canal de baixa

A partir do momento que o gráfico rompe essa linha tendência, o que graficamente deve acontecer é que o preço suba, na mesma proporção em relação a distância das linhas, que nesse caso são as linhas vermelhas.

Outro par muito utilizado dentro da análise de padrões gráficos, são as figuras de cunha de baixa e cunha de alta. A representação desse tipo de gráfico, é melhor representado nas imagens a seguir:

cunha de baixa e cunha de alta

Como podemos ver, a cunha de baixa, à esquerda, também terá topos e fundos descendentes, ou seja, um menor que o outro conforme o andamento do gráfico. Porém os topos se darão com menor força do que em um canal de baixa, causando essa figura de afunilamento.

Já na cunha de alta, à direita, se dará de forma semelhante ao canal de alta, porém com topos também com menor força, o que faz com os preços formem uma figura semelhante a um cone com a ponta pra cima.

O que ocorre nos dois casos, é que quando ocorre o rompimento do preço na região desse cone formado, vai haver uma reversão nos preços. Na cunha de baixa, o preço que estava em tendência de queda, vai reverter para uma tendência de alta e na cunha de alta isso se dará de forma contrária, como observamos na figura.

A partir daí, temos outros dois padrões de figura gráfica bastante conhecidos: O ombro-cabeça-ombro (OCO) e o ombro-cabeça-ombro invertido (OCOI). No OCO, há uma conformação de 3 topos seguidos, aos quais os dois da ponta são parecidos em si e o do meio acaba sendo maior.

De forma equivalente, o OCOI irá se comportar de forma invertida ao OCO, de modo que são 3 fundos seguidos, 2 parecidos e o do meio mais aprofundado. Isso é melhor representado na figura a seguir, com O OCOI à esquerda e OCO à direita: 

obro cabeça ombro

A tendência que isso vai trazer, é que após a ocorrência de um OCO, o preço tende a romper para baixo da linha de pescoço, que é como chamamos a linha de suporte nesse caso. Já no OCOI, o preço vai tender a uma alta acima da linha de pescoço, que de forma inversa será a linha de resistência.

Indo para o próximo par de padrões gráficos, encontramos a figura do fundo duplo e o topo duplo. Já mostrou-se aqui o que são fundos e também o que são topos de um gráfico, desse modo, fica fácil pensar em como se dará fundos e topos duplos.

fundos e topos duplos

Quando dois fundos seguidos apresentam valores próximos haverá um fundo duplo (à esquerda), e quando há temos dois topos seguidos, também com valores próximos, aí teremos um topo duplo (à direita).

A tendência de preço criada aqui é a seguinte: A partir do momento que se forma um fundo duplo, a tendência do preço do ativo é que ele rompa para uma alta acima do nível de resistência desse fundo. Para um topo duplo, a lógica será inversa, e assim, o preço tenderá a romper abaixo da linha de suporte dessa figura, que no caso ali da ilustração é o valor do fundo corresponde ao meio dos dois topos.

Para ficar mais fácil de se memorizar, topos e fundos duplos terão formatos de “M” e “W’, respectivamente. Pensando dessa forma, talvez seja mais fácil visualizar no gráfico esse tipo de padrão, ao qual pode proporcionar bons momentos de compra e venda do ativo.

Figuras de Continuidade

As figuras de continuidade representam uma pausa na tendência que estava ocorrendo até então no gráfico, de modo a lateralizar os preços, ou seja, acabam tendo topos e fundos parecidos e de forma alternada, onde o gráfico ascendente ou descendente é interrompido.

Após essa lateralização do gráfico, as figuras de continuidade mostram uma possibilidade maior de que a tendência que estava ocorrendo antes da interrupção, possa prosseguir ocorrendo da mesma forma depois. 

Em resumo, se há uma tendência de alta em um gráfico, ele vai ter essa lateralização e depois vai continuar sua alta. Se há uma tendência de baixa, essa interrupção vai ocorrer e logo em seguida os preços continuam caindo.

A primeira figura de continuidade é o retângulo, que tem duas variações, podendo ser de baixa ou de alta, dependendo da tendência que o gráfico estava seguindo até então.

retângulo de baixa

Além de prever a continuidade da tendência, essa figura ainda pode descrever até quanto o preço pode subir ou cair, ao qual será equivalente a distância entre as linhas de suporte e resistência do retângulo formado. Aqui é importante que o operador aguarde o rompimento das linha de suporte ou resistência para confirmar a operação de compra e venda.

Seguindo nessa mesma linha, temos outras figuras de continuidade bastante utilizadas pelos operadores de análise gráfica: A bandeira, que pode ser de alta ou de baixa, e também a flâmula que segue com as mesmas duas variações. A representação delas é melhor explicada pela imagem:

bandeira de alta

Nas bandeiras, ocorre a utilização de um retângulo inclinado, ao qual primeiro vemos duas ondas de impulsão, simbolizadas pela linha verde, e uma onda de correção, ao qual é descrita pelas linhas de suporte e resistência da correção realizada. 

Essas ondas ao qual se descreve aqui, são muito conhecidas no conceito das Ondas de Elliot, ao qual também é um indicador presente em plataformas de análise gráfica, utilizado para se determinar essas tendências.

Tanto as bandeiras quanto as flâmulas se dão de formas muito parecidas. Ambas tem o que chamamos de mastro, que descreve a alta obtida anteriormente a correção. Além disso elas acabam sendo uma mistura de figuras gráficas. 

Na bandeira, temos a presença de um canal de alta ou canal de baixa durante a correção do preço, enquanto na flâmula ocorre uma cunha de baixa ou de alta, de modo que nesse caso há outros padrões de figuras gráficas dentro dessas figuras, mas que nesse caso, está descrevendo uma continuidade de tendência.

Temos por fim os 4 triângulos padrões: Triângulo ascendente, triângulo descendente, triângulo simétrico de alta e triângulo simétrico de baixa. Eles acabam sendo muito parecidos entre si, com algumas diferenças pontuais:

triângulo simétrico

Nos triângulos ascendentes e descentes, as figuras formadas são muito semelhantes a triângulos retângulos, de modo que a alta ou baixa do preço virá a partir da quebra da linha de suporte, no caso de baixa, e da da linha de resistência, no caso de alta, ambas retilíneas.

A diferença no caso dos triângulos simétricos, é que as linhas de suporte e resistência se dão ambos de forma curvada, onde tanto os topos quanto os fundos da interrupção de tendência são descendentes, enquanto nos triângulos anteriores apenas um deles será descendente, enquanto o outro repete seus níveis como vemos na imagem.

Essa repetição será dos topos, no caso de triângulos ascendentes, e nos fundos, se forem triângulos descendentes. A partir daí, fica muito mais simples se concluir as tendências que o gráfico deve seguir a partir de então, no qual é sempre importante frisar que o operador aguarde o rompimento das linhas formadoras do triângulo para confirmar a tendência observada.

Conclusão

Os padrões de tendência gráfica são muito importantes dentro uma análise gráfica e na descrição do comportamento dos preços, ao qual conhecemos como price action. Desse modo, entender cada uma das figuras gráficas e como funciona cada uma delas pode trazer uma bagagem maior de conhecimento sobre os ativos.

Sendo assim, aprender os conceitos de price action pode trazer diversas ferramentas de operação não só pra quem costuma fazer apenas análise gráfica, mas ser um adicional para quem também utiliza outras formas de prever se um ativo deve se valorizar ou não.

É preciso pensar nas melhores estratégias que se vai utilizar periodicamente, seja pra quem tem preferência em operações de curto prazo, como day traders e swing traders, como também os de preferência a longo prazo. 

Os conceitos de price action podem ser utilizados por esses diferentes tipos de análise, de modo que cada um deles terá uma visão de intervalos de tempo diferentes para um gráfico. Utilizar-se de outros indicadores juntamente com os de price action, pode ser uma estratégia de apoio que talvez possibilite ainda mais ganhos nas operações.

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