Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Ouro, Prata e Bitcoin dispararam nos últimos 7 dias frente ao dólar. Até o momento (27 de julho, 15h22), o Bitcoin teve uma valorização de 18,61%, enquanto Prata e Ouro subiram 25,72% e 7,05%, respectivamente. Os ativos vinham de baixa volatilidade nas últimas semanas.

O principal “driver” do momento é o enfraquecimento do dólar frente a outras moedas. O Bitcoin chegou a US$ 11,000 em algumas corretoras. O Ouro é negociado na faixa dos US$ 1930 por onça, enquanto a Prata chegou aos US$ 22,42.

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No gráfico abaixo, o Ouro é a linha laranja, enquanto Prata e Bitcoin são representados pela linha vermelha e azul, respectivamente. Na linha amarela está o DXY (Índice de Dólar), que é uma cesta de moedas frente ao dólar. Quando o DXY sobe, indica-se dólar forte, quando ele cai, o que está sinalizado é o enfraquecimento da moeda.

Índice de dólar vs Ouro vs Prata vs Bitcoin

A principal tese para o enfraquecimento do dólar está no Quantitative Easing. Em Março, no auge da crise do mercado de capitais, o FED injetou US$ 2,3 trilhões para prover liquidez ao mercado e evitar uma nova crise do subprime, isto é, falência de múltiplos bancos em um efeito contágio.

Oferta monetária de dólares nos Estados Unidos – M1

Os Estados Unidos passaram por uma rápida e significativa emissão de dinheiro. Com isso, ativos escassos como Ouro, Prata, Imóveis e até ativos de risco como ações e Bitcoin se beneficiam do movimento do FED. Somando-se a isso, também há uma crescente preocupação com o fiscal do país.

O risco de calote é muito baixo, por se trata do país que é, mas uma deterioração das contas públicas norte-americanas já era vista com preocupação. Com as ações tomadas para estimular a economia em época de pandemia, a situação irá piorar. Os Estados Unidos já devem 106% do seu PIB e as perspectivas é que essa relação continue a crescer.

Dívida dos Estados Unidos em % do PIB

Hoje estamos em um cenário de juros negativos, eleições americanas, enfraquecimento do dólar e piora fiscal da principal economia mundial. 

Tudo isso junto torna atrativa (especialmente para familly offices) a narrativa de ativos escassos como proteção de patrimônio. 

Naturalmente, o Ouro se beneficia por conta da liquidez, acessibilidade e tradição, mas ativos alternativos acabam naturalmente absorvendo parte deste capital.

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