Mercado asiático: qual sua importância e como investir?

O mercado asiático tem ganhado cada vez mais força e adeptos ao longo do tempo. Isso se dá, dentre outros motivos, pelo avanço da economia chinesa e do Japão. A China vem reduzindo gradativamente a diferença com os EUA sobre o posto de maior economia do mundo.

Não só a China como outros países da Ásia sempre foram países de referência econômica, assim como também de um grande avanço tecnológico. Sendo assim, diversas empresas tornaram-se de capital de aberto, para atrair ainda mais investimentos para cada uma delas.

Durante o ano de 2020, as maiores economias do mundo tiveram grandes perdas financeiras e paralisações na produtividade e crescimento, o que fez com que os investidores pudessem buscar novas oportunidades para investir no cenário de crise.

Sendo assim, países com uma recuperação mais acelerada frente a pandemia, acabaram atraindo cada vez mais investidores. Foi assim que a China e o Japão, por exemplo, acabaram despertando a curiosidade de muitos que ainda não conheciam o mercado asiático.

Aqui no Brasil, a cultura da bolsa de valores e os investimentos de renda variável ainda é muito iniciante. Embora tenha alcançado um avanço muito considerável, passando de 750 mil para 3 milhões no intervalo de 2017 a 2020, o conhecimento geral desse assunto aos brasileiros ainda é baixo.

Dessa forma, se a proximidade com o mercado financeiro acaba sendo ainda um pouco limitado aos brasileiros mesmo em relação a bolsa aqui no Brasil, que dirá do conhecimento do mercado internacional, em especial a que não inclui diretamente os EUA, que é o segundo mercado mais acompanhado pelos brasileiros.

Entretanto, a expansão do mercado asiático traz a tona a importância de que os investidores tenham um olhar um pouco diferente para esse assunto daqui pra frente. Ter esse tipo de conhecimento faz aumentar o portfólio a respeito da possibilidade de novos investimentos e formas de lucrar na renda variável, trazendo ainda mais sucesso para os investidores no mercado financeiro.

Além disso, saber mais sobre o mercado asiático em um mundo tão conectado e cheio de correlações intrínsecas na performance da bolsa de valores, faz com que se tenha um maior entendimento de como os acontecimentos nesse mercado acabam influenciando o que acontece no Brasil ou até mesmo no cenário americano.

É imprudente por parte de um investidor ignorar a forma com que o mercado asiático tem um grande influencia dentro do cenário macroeconômico na atualidade, não só no Brasil, mas também em outros países de importância global.

Outra questão bastante importante é que embora o mercado brasileiro seja muito promissor, ele acaba ficando muito atrelado a uma moeda de pouco lastro internacional, e assim, é interessante ter outras possibilidades de investimento.

Obviamente que o Renminbi chinês ainda não é uma moeda tão importante comercialmente como o dólar, por exemplo, porém ele vem ganhando cada vez mais espaços, frente às preocupações chinesas a respeito da possibilidade dos EUA usarem o dólar como uma arma em uma possível guerra comercial, e já mostram que farão de tudo para que sua própria moeda ganhe cada vez mais força.

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As principais bolsas asiáticas

Dessa forma, podemos destacar as principais bolsas de valores dentro do continente asiático, levando em conta alguns critérios importantes como valor de mercado e o volume de negociação das mesmas.

A primeira a se destacar, é justamente a maior bolsa de valores chinesa. A Shangai Stock Exchange. Em funcionamento desde 1990, esta apresenta um valor de mercado superior a US$ 5 trilhões, o que faz com que seja uma das maiores do mundo.

Em 2019 registrou um valor médio de US$ 500 bilhões em negociações e apresenta mais de 1000 empresas listadas em sua composição. Os índices mais importantes da Shangai Stock Exchange é o SSE Composite e o SSE 50.

A bolsa da China vem passando ao longo dos anos uma recuperação da crise vivida em 2008, no qual antes disso vivia os seus melhores momentos da história. Desde então, o seu crescimento tem ido na direção de se alcançar novamente em direção a este alvo, embora esteja sendo bastante difícil. O que acabamos de dizer pode ser visto, por exemplo, na performance do índice SSE Composite dos últimos 5 anos:

Vale ressaltar que apesar da evolução do mercado quanto aos investimentos estrangeiros na China, o país acaba tendo uma economia ainda muito fechada e controlada pelo Estado chinês, o que faz com que apenas parte do capital total passível de investimento é dedicada a acionistas de outros países.

Apesar disso, até o ano passado, a China vem rompendo algumas barreiras para que cada vez mais o mercado se abra para esses estrangeiros, de modo a ser futuramente uma possibilidade possível da chegada de grandes players dentro da bolsa chinesa.

A segunda bolsa de valores asiática a se destacar é a Tokyo Stock Exchange, conhecida também pela sigla TSE. A bolsa de valores do Japão foi criada em 1878, mas sua configuração atual só teve uma definição entre os anos 2006 e 2012, intervalo de tempo que marcou a transição da TSE em uma fusão com a bolsa de Osaka.

É conhecida mundialmente, já que acaba ficando atrás apenas das bolsas americanas em valor de capitalização, que por sua vez, gira em torno de US$ 5,6 trilhões e apresenta 2 mil empresas em sua composição.

Um dos principais índices da bolsa é o Nikkei 225, que lista as maiores empresas do Japão que estão na bolsa de valores. O Japão, por sua vez, apresentou durante os anos de 2017 e 2018 sua maior expansão na economia desde a Segunda Guerra Mundial, o que favoreceu ainda mais como um atrativo para chegada de mais investidores.

Com isso, a produtividade das empresas, assim como dinheiro em caixa e demais fatores importantes ao funcionamento de uma companhia acabaram favorecendo as empresas japoneses durante esse período. Além disso, o Japão passa atualmente por uma importante estabilidade política, o que é algo muito importante na escolha de um país para investir.

O mercado japonês vive um dos seus melhores momentos, ultrapassando até mesmo as máximas do ano de 2020, que podem ser observadas antes mesmo da derrubada das bolsas em março, como podemos ver a seguir:

nikkei
Índice da bolsa japonesa. Fonte: TradingView

Os resultados obtidos atualmente atingiram patamares que não eram vistos desde 1991. Agora, se continuar nessa crescente, o índice Nikkei deve buscar o melhor patamar de sua história, alcançado em dezembro de 1989.

Desde o pior momento da bolsa japonesa no ano, por volta do dia 17 de março de 2020, o índice Nikkei obteve uma recuperação até o momento próxima dos 63%, o que mostra uma resposta bastante considerável frente à pandemia.

Por fim, ainda podemos destacar a bolsa de Hong Kong como umas das principais de toda Ásia. A Hong Kong Stock Exchange ocupa o terceiro lugar, com valor de capitalização de aproximadamente US$ 4 bilhões, e cerca de 2 mil empresas listadas até o ano de 2018.

Ela foi fundada em 1921, mas sua configuração atual se deu ao longo dos anos, principalmente a partir de 1947, no qual a até então Hong Kong Stock Associatioz acabou se fundindo com a bolsa que levou o nome até hoje, a A Hong Kong Stock Exchange.

Mesmo com associação de outras bolsas de valores junto com estas, o nome colocado em 1961 acabou permanecendo até os dias atuais. O principal índice da bolsa de Hong Kong é o Hang Seng Index, que por sua vez representa as maiores empresas da bolsa de Hong Kong, que acabam em algumas vezes coincidindo com companhias da bolsa da China, que por sua vez ainda acaba tendo um poder político e administrativo sobre Hong Kong.

Apesar de sua gradual recuperação após sua intensa queda em março de 2020, o índice Hang Seng Index ainda não recuperou-se para seu melhor momento do ano. O auge histórico do índice foi em dezembro de 2018, como podemos ver a seguir:

índice hong kong mercado asiático
Índice da bolsa de Hong Kong. Fonte: TradingView

Apesar disso, após o dia 16 de março de 2020, quando atingiu sua mínima anual, o índice alcançou uma recuperação de 26% , alcançando patamares pré-pandemia. Apesar disso, ainda está um pouco distante de sua máxima histórica que beirava os 33500 pontos.

Como investir no mercado asiático?

Agora que já sabemos a importância e a presença do mercado asiático mundialmente, é preciso entender algumas particularidades a respeito de como pode-se investir dentro desse mercado, afinal, acaba não sendo algo tão simples para o Brasil quanto se parece.

A primeira opção, seria investir diretamente nas bolsas de valores citadas, através da abertura de uma corretora estrangeira, ao qual é preciso também lidar com as particularidades do câmbio do país em que se está lidando. 

Porém, no caso da China, as regulamentações do mercado acabam ainda dificultando que estrangeiros possam realizar livremente operações de investimento dentro do país. Apesar disso, a China tem adotado medidas para que isso seja cada vez mais facilitado, como foi em setembro de 2020, onde uma lista de regras mais simplificadas para investidores estrangeiros foi divulgada pelo Banco Central da China.

O próprio índice Chinext, referente a startups chinesas, foi criado com esse intuito. Existe uma corretora denominada Interactive Brokers, ao qual os investidores conseguem encontrar diferentes mercados internacionais, além de mercado de câmbio para realizar tais operações.

Nesse caso seria possível expor-se ao mercado da bolsa de Hong Kong, por exemplo, que por sua vez, já apresenta diversas empresas listadas na bolsa chinesa como um todo. No caso do Japão, o índice Nikkei também abre a possibilidade de investimento por corretoras estrangeiras, de modo ainda mais facilitado do que a China.

Nesse caso, a plataforma para uso deve ser autorizada pelo Banco Central do Brasil e para isso, precisa cumprir anteriormente uma série de exigências, entre elas, a exigência de que esta precisa estar totalmente em língua portuguesa e outras questões burocráticas sobre finanças, câmbio e datas de envio e recebimento de recursos.

Outra possibilidade de investir no mercado asiático, é justamente pelo próprio mercado brasileiro. Isso pode ser feito através de compra de BDR’s chinesas, que por sua vez, são papéis que funcionam como uma representação dos papéis originais de empresas da China, só que dentro da bolsa brasileira.

Na B3 essas BDR’s ainda são pouco exploradas pelo mercado brasileiro e pelos investidores nacionais, mas acabam sendo uma possibilidade importante de crescimento. Podem ser encontradas empresas como: Baidu, PetroChina, Alibaba, Trip.com, dentre outras.

Uma outra maneira de se investir em empresas de bolsas como a Shangai Stock Exchange e a Hong Kong Stock Exchange é por meio do segundo mercado mais explorado e de interesse dos brasileiros: O mercado americano.

Se você já investe ou pretende investir no mercado dos EUA, há a possibilidade também de se investir no mercado asiático através das ADR’s originárias deste continente. As ADR’s têm o conceito muito parecido com a das BDR’s, como já falamos, porém desta vez representa-se empresas estrangeiras dentro do mercado americano.

Até 2018, eram mais de 220 ADR’s asiáticas na Bolsa de Nova York, dos quais cerca de 145 destas seriam chinesas, 17 de Hong Kong, 14 do Japão e as demais distribuídas entre outros países asiáticos, com a própria participação da Índia, por exemplo.

Além disso, os fundos de investimento tem se tornado uma boa opção para se investir no mercado asiático no Brasil. Não à toa, a XP criou em julho de 2020 um fundo que replica o MSCI da China, com 704 papéis de empresas chinesas, dos quais contava com a participação das conhecidas Tencent, Banco da China, Alibaba e Baidu.

Para se expor ao mercado da China com um menor risco, principalmente em momento de tensões políticas do país com os EUA, uma alternativa seria o KWEB, que é um fundo de índice que conta com a participação de empresas ligados ao setor tecnológico da China, contando com 50 ativos, aproximadamente. Esse fundo de índice é proporcionado pela Avenue, uma corretora de investimentos para o mercado americano.

Conclusão

O mercado asiático pode ser uma boa opção para se investir, principalmente para aqueles que buscam uma maior diversificação em sua carteira de investimentos. Se prender a apenas ao mercado de um único país, é limitar-se aos riscos e questões político-econômicas específicas daquela região.

Dessa forma, não é uma recomendação que se coloque todos os seus investimentos no mercado chinês, por exemplo, assim como não seria interessante ficar apenas investindo no mercado brasileiro, que acaba sendo tão fragilizado por questões políticas.

A ideia nesse caso, seria propor ao leitor uma nova forma de investimentos que ainda não é tão explorada pelos brasileiros, mas que se utilizada de forma inteligente, deve trazer rentabilidade satisfatória, como já tem trazido a algumas pessoas que acabaram se expondo a esse tipo de mercado.

Essa possibilidade de conhecer mercados estrangeiros, nesse caso incluindo o asiático, é uma maneira de aumentar a experiência do investidor mundo afora, expondo-se a novas empresas de importância mundial e criando modelos de novas estratégias em momentos ruins e que sejam de especificidade da própria economia política do Brasil.

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