De esquecida à queridinha do mercado: Conheça a CSU CARDSYSTEM (CARD3)

De esquecida à queridinha do mercado: Conheça a CSU CARDSYSTEM (CARD3)

Criada em 1992, a CSU CARDSYSTEM é uma empresa líder no mercado brasileiro de prestação de serviços de alta tecnologia voltados ao consumo, com soluções completas de programas de cartões de crédito e meios de pagamento eletrônicos, e-commerce, vendas, cobrança, crédito e contact center.

Em seus mais de 25 anos de história, a Companhia criou um modelo único e inovador de atuação, com soluções tecnológicas que integram e conectam bancos, financeiras, varejistas, empresas de serviços e consumidores em todo o País.

Em resumo, o negócio principal de CARD é gestão de meios eletrônicos de pagamento, com contratos de longo prazo que não dependem de contato humano. Logo, não foi  impactada pelo fechamento do comércio nem pelo distanciamento social.

Atuação

Em uma época em que bancos e grandes varejistas não emitem seus próprios cartões por falta de uma processadora apta a apoiá-los, a CSU CARDSYSTEM surge, uma companhia independente da América Latina, especializada no processamento de meios eletrônicos de pagamento.

De modo a acompanhar a evolução e o dinamismo do mercado, a CSU ampliou sua atuação no mercado através de novas Divisões de Negócios.

A CSU CARDSYSTEM atua basicamente em dois segmentos, o primeiro é o Cardsystem, que representa 50,03% da receita líquida de 2020, envolvendo o processamento de pagamentos, soluções de marketing, relacionamento e soluções de TI.

A Cardsystem compreende todo o ciclo operacional relacionado a cartões de crédito, possibilitando ao emissor ter toda a atividade operacional em regime de terceirização. Além do processamento das transações dos emissores, a CSU dispõe de toda a tecnologia para o processamento das transações do adquirente, atuando em toda a cadeia de meios de pagamento.

Em outras palavras, quando o consumidor faz uma compra e paga com cartão de crédito, as adquirentes (maquininhas) solicitam aprovação da compra junto às bandeiras (Mastercard, Visa e Elo) que, por sua vez, consultam a existência do crédito (limite) junto aos emissores, normalmente bancos. Caso tudo esteja na conformidade, a transação é autorizada.

Todo esse processo desde o adquirente até o emissor é feito pela CSU, por meio da unidade de Cardsystem. A companhia é a maior processadora independente de cartões no Brasil.

 

O segundo é a CSU.Contact, que representa 49,7% da receita líquida de 2020, na terceirização de processos de negócios, onde atua com o know how e qualificação do time de call center para os segmentos de vendas,  atendimento ao consumidor (SAC), suporte técnico, cobrança, ativação e gestão de redes sociais.

A divisão de Contact vem ampliando seu desempenho operacional, reduzindo as posições de atendimento (PA), mas aumentando o faturamento por PA ao mesmo tempo.

CSU CARDSYSTEM(CARD3): História na Bolsa de Valores

Atuando pioneiramente, a CSU CARDSYSTEM foi a primeira empresa do seu segmento a abrir capital na B3, em 2006, passando a integrar o mais elevado nível de governança corporativa, o Novo Mercado, sob o código de negociação CARD3.

Gráfico CARD3 – Fonte: Tradingview

Ao longo dos anos a CSU (CARD3) tem conseguido entregar bons resultados, mesmo diante da crise sanitária que ocorre mundialmente, todavia há uma enorme  dificuldade de ser reconhecida pelo mercado, tendo em vista  o surgimento de tantas empresas de tecnologia que realizaram Ofertas Públicas Iniciais de ações (IPOs).

Para José Leoni, diretor de Relações com Investidores e de Fusões e Aquisições da CSU CARDSYSTEM, o “esquecimento” do mercado para a companhia demonstra o quanto a empresa está negociando com um desconto muito grande, quando comparada com outros integrantes do setor de tecnologia.

Segundo Leoni, a CSU CARDSYSTEM gera mais de R$ 130 milhões de Ebitda, ou seja, negociando a um múltiplo extremamente descontado, de cerca de 5 vezes EV/Ebtida (Valor da Firma Total dividido pelo potencial de geração de caixa).

CARD – Resultados – 4T20 e 2020

Enquanto há companhias realizando ofertas e negociando a 30x, 40x, até 60x EV/Ebitda, ou seja, é um desconto de até 90% em relação a elas.

CSU CARDSYSTEM: Nova aquisição

A CSU CardSystem (CARD3) informou ao mercado a celebração do contrato de investimento no valor de R$ 10,0 milhões para aquisição de participação minoritária de 4,0% no capital do Fitbank Pagamentos Eletrônicos.

A fintech foi fundada em 2015, em São Paulo, e é fornecedora de soluções completas de infraestrutura de meios de pagamento e Core Banking, que em julho de 2020, recebeu aporte do banco J.P. Morgan.

O FitBank movimenta R$ 2,3 bilhões por mês, entre 130 clientes, que, por sua vez, somam acesso de 35 milhões de usuários. Na CSU, são cerca de R$ 10 bilhões transacionados ao mês.

Com esse investimento a Companhia inaugura a estratégia de aquisição de participações em negócios complementares no ecossistema de pagamentos brasileiro, permitindo reforçar a atuação da Companhia junto a bancos tradicionais, bancos digitais, e outras instituições financeiras e não financeiras dos mais variados segmentos de atividade.

“Além do aporte financeiro e de se tornar acionista minoritário com assento no conselho, a transação com a CSU tem um vínculo estratégico, que é a parceria comercial de desenvolvimento de produtos. São duas companhias com perfis complementares”, diz João Chacha, sócio investidor e conselheiro do FitBank.

Movimentação de mercado

A celebração de contrato de investimento com a Fitbank Pagamentos Eletrônicos, no valor de R$ 10 milhões e com participação de 4% no capital, animou o mercado financeiro.

Durante a semana, entre as ações que tiveram maior alta da bolsa de valores, CARD3 obteve valorização de 23,48% e com uma alavancada de mais 40% desde seu último movimento de queda.

Gráfico CARD3 – Fonte: Tradingview

“Efetivamente, a condição de fusões, aquisições e crescimento inorgânico se tornaram palavras de ordem em questão estratégica da companhia”, afirma Marcos Ribeiro Leite, fundador e presidente da CSU CardSystem S.A., destacando, porém, que até alguns anos atrás havia muitas dificuldades para seguir nessa linha.

Principais riscos

Dentro os principais riscos de CARD destaco a capacidade de inovar e contratar profissionais qualificados. Na divisão Cardsystem, por exemplo, a empresa precisa se manter na dianteira em relação às inovações tecnológicas do setor.

Já a divisão Contact é altamente dependente de mão de obra, e que graças a automação das tarefas mais simples, precisa ser cada vez mais qualificada, uma vez que será responsável por resolver apenas os problemas mais complexos.

Isto significa que a empresa precisa ser capaz de contratar e reter consistentemente profissionais qualificados para se manter na dianteira.

Além disso, a companhia vem buscando ampliar a quantidade de soluções oferecidas para se consolidar uma companhia ‘one-stop-shop’, em tradução livre quer dizer: compras em um único lugar, e se proteger da competição, mas isso ainda não é uma realidade.

A internalização dos serviços prestados também merce atenção, tendo em vista que a companhia pode perder seus clientes que optam por internalizar os serviços terceirizados a CARD. 

Por fim, destaco a proteção de Dados, a CARD manuseia grande quantidade de dados de terceiros diariamente e mesmo com seu alto padrão de segurança, está sujeita falhas ou ataques cibernéticos.

Resultados da CSU CARDSYSTEM (CARD3)

A CSU encerrou 2020 com lucro líquido de R$ 46,78 milhões, uma alta de 74,3% na comparação com 2019, ao passo que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) avançou 25,7% na mesma base de comparação, para R$ 130,79 milhões.

CARD – Resultados – 4T20 e 2020

Com uso intensivo da tecnologia para elevar a eficiência de seus serviços, a companhia vem conseguindo aumentar consideravelmente o Ebitda dos novos contratos, e isto tem elevando as margens do segmento significativamente.

A companhia vem se especializando e se aprimorando com o intuito de oferecer um portfólio de serviços cada vez mais completo em relação aos concorrentes, o que poderá contribuir para o aumento da participação de clientes.

Dessa forma, para CARD, quanto mais cartões cadastrados em sua base, mais cartões faturados, e mais receita para a divisão.

Leite aponta que, nos últimos 18 meses, com as mudanças regulatórias e de tecnologia, essa estratégia de crescer com aquisições voltou a se tornar uma boa opção para a companhia.

Além disso, a com um patamar confortável de dívida, juntamente à forte geração de caixa, possibilitou a ampliação dos investimentos da empresa  para R$ 51,7 milhões em 2020 (+1,9% vs. 2019).

Tais investimentos são parte de soluções tecnológicas, com a finalidade de promover ferramentas ainda mais assertivas, visando ampliação nos seus resultados econômico-financeiros.

Conclusão

O mercado ignorou o valor da CSU CARDSYSTEM (CARD3), por muito tempo, o que impediria a companhia de destravar valor. No entanto, esse cenário vem mudando.

Mesmo após a alta recente, a CARD ainda está bastante descontada, negociando a 5x Ebitda e 14x lucros, considerando os resultados que a empresa ainda pode entregar e as oportunidades de crescimento tanto na unidade de Cardsystem e da nova operação de Banking as Service.

Segundo o analista, embora o uso de cartão de crédito e pagamento digital seja muito comum em grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, em outros estados brasileiros ainda há muito espaço para este segmento.

Além disso, CARD é uma gerenciadora de meios de pagamento e não é afetada por lockdown e pandemia. Como resultado, a companhia está focando mais em “aparecer” para o mercado e demonstrar os bons resultados, se mantendo firme em seus fundamentos.

Em suma, vale destacar também que atualmente CARD entrega um Dividend Yield de 2% ao ano, com distribuição de até 40% do lucro líquido. Desse modo, caso a companhia continue com um crescimento saudável, pode pagar mais dividendos no futuro.

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