Empreender não é uma tarefa fácil. Horas de reflexão, tentando encontrar a ideia perfeita. Muito trabalho, suor, noites mal dormidas, preocupação com o dinheiro, funcionários, férias, responsabilidades e balanço entre vida pessoal e profissional.

Em 2019, fechamos o ano com 52 milhões de brasileiros com um negócio próprio, segundo o SEBRAE. Na crise que estamos vivendo hoje, suspensão de contratos de trabalho, demissões e impossibilidade de realizar alguns serviços, o balanço de 2020 pode mostrar um número ainda maior.

Durante uma crise, por mais que todas as circunstâncias nos coloquem para baixo, novas oportunidades de empreender podem surgir. Com o desbalanço de recursos, financeiro e sanitário, a população muda seus comportamentos, abrindo portas para novos produtos que atendam a essas demandas.

Na história, tivemos grandes líderes que decidiram empreender em um momento difícil. Eles foram capazes de identificar necessidades, observando os recursos disponíveis e desenvolvendo soluções essenciais para negócios, pessoas em situações financeiras frágeis e outras nem tão fundamentais assim, como um creme de avelã. 

Nutella – 1964

Em 14 de maio de 1946, o Grupo Ferrero foi fundado. Por causa da escassez de cacau depois da segunda guerra mundial, a empresa começou a desenvolver cremes de avelã, produto disponível na Itália na época.

Até 1964, vários produtos foram feitos, mas só neste ano que a marca Nutella foi criada. Hoje, a Nutella usa mais de 25% da produção mundial de avelã, sendo vendida em mais de 75 países.

Buscapé – 1999

Depois de não conseguir comprar uma impressora na internet, Rodrigo Borges se uniu aos colegas da faculdade para criar um site em que conseguiria comparar os preços dos produtos em diferentes lojas.

No início, houve resistência dos lojistas para conseguir os preços e descrição dos produtos, mas, em 2000, mesmo com a bolha da internet, recebeu investimento de R$ 6 milhões, se destacando em um mercado que estava crescendo no país. Em 2009, recebeu aporte de US$ 340 milhões por 91% da empresa. Em 2019, o Buscapé, junto com outros concorrentes, foi comprado pelo Zoom.

Mailchimp – 2001

A Mailchimp é uma plataforma de automação de marketing e um serviço especializado em disparo de e-mails. Ben Chestnut (ainda CEO da empresa), Mark Armstrong e Dan Wurzius decidiram empreender em 2001, enquanto o mundo ainda estava sofrendo as consequências da bolha das pontocom.

No início, eram uma agência de web design para grandes empresas. Mas, paralelamente, desenvolveram uma plataforma de e-mail marketing para pequenas empresas, que se tornou seu produto principal. Quem nunca recebeu uma, newsletter, pesquisa ou promoção que lá no finalzinho estava assinado pelo Mailchimp?

Airbnb – 2008

O Airbnb talvez seja um dos maiores símbolos da economia compartilhada. Ele surgiu em 2008, durante a crise causada pela bolha imobiliária dos Estados Unidos. Com o Airbnb, as pessoas podem alugar seus espaços, seja um quarto, apartamento ou casa para “estranhos”.

Por mais que essa ideia já esteja difundida hoje, no início, devia ser no mínimo desconfortável ter uma pessoa desconhecida em sua casa ou ser uma pessoa na casa de alguém que você nunca viu antes. Mas, a solução desenvolvida Brian Chesky, Joe Gebbia e Nathan Blecharczyk possibilitou que pessoas que tinham um espaço vazio em suas residências fizesse um renda extra. 

Groupon – 2008

O Groupon surgiu nos EUA como um e-commerce com ofertas de serviços locais. Restaurantes, hotéis, salões de beleza, eventos, mercados e marcas parceiras do site, oferecendo seus serviços e produtos. A busca é feita a partir de uma região específica do país, promovendo as atividades econômicas locais.

No Brasil, o site se uniu ao Peixe Urbano, empresa com a mesma proposta, mas criada em 2010. O Groupon chegou a receber propostas de aporte de mais de U$ 5 bi pelo Google. Em 2017, faturava U$ 2.84 bilhões.

Uber – 2009

Outro símbolo da economia compartilhada, o Uber nasceu em março de 2009, em São Francisco. Com o objetivo de criar um serviço semelhante aos táxis de luxo, Garrett Camp e Travis Kalanick desenvolveram uma plataforma mobile. A solução atendia a demanda dos passageiros e criava uma fonte de renda para pessoas que possuíam um carro.

Apesar de todo o atrito quando a empresa chegou no Brasil, se tornou uma importante fonte de renda para a população. São mais de 1 milhão de motoristas no país, número informado pela Uber em fevereiro de 2020.

WhatsApp – 2009

empreender na crise - whatsapp

Que atire a primeira pedra quem não tem o WhatsApp em seu smartphone. Criado em 2009 nos Estados Unidos, o app foi desenvolvido para possibilitar a comunicação de pessoas por todo o mundo sem nenhuma barreira ($).

Totalmente gratuito para o usuário, o nosso querido ZAP tinha mais de 1,5 bilhões de usuários em 2019. No Brasil, mais de 150 milhões. Hoje, além de possibilitar a comunicação pessoal, tem uma solução empresarial, mas paga, aproximando as marcas de seus consumidores.

Square – 2009

Com serviços financeiros para empresas, focado no mobile, a Square surgiu em 2009. Depois de um amigo não conseguir completar uma venda de US$ 2,000 por não aceitar cartões de crédito, Jack Dorsey teve a ideia de desenvolver a solução de pagamentos.

Em 2018, foi indicado pelo Yahoo! como a principal fintech do ano. Em 2019, a empresa faturou US$ 4.7 bilhões, e tem mais de 3500 funcionários. Em fevereiro de 2020, informou ter mais de 24 milhões de usuários ativos por mês no aplicativo. 

Dr.Consulta – 2011

Vendo uma crise no sistema de saúde público do Brasil, o médico Thomaz Srougi decide empreender criando um serviço focado na população de baixa renda. O Dr.Consulta é uma rede de franquias de atendimento ambulatorial rápido.

Apesar do SUS ser essencial para o país, tratando a população de maneira preventiva e emergencial, existem atrasos para marcação de consultas. Com este serviço, os pacientes pagam entre 35 e 60 reais para terem um atendimento quase imediato em uma das unidades franqueadas. Em 2017, a empresa recebeu R$ 300 milhões para sua expansão.


E para a crise de 2020? Quais serão as empresas que grande parte da população utilizará em alguns anos? Tem algum palpite? Conta pra gente aqui nos comentários!

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