Dólar subiu 15% em 2020. Paulo Guedes perdeu o controle?

Com a criação dos Bancos Centrais, la no final do século XIX, os governos ganharam mais protagonismo sobre o controle da moeda, especialmente através das políticas monetárias, que buscam guiar inflação, juros e crescimento econômico de acordo com os interesses do governo.

Quando se quer fazer a economia crescer, os governos baixam juros e aumentam o crédito, sob o pretexto de que empresários vão abrir novos negócios e aumentar o investimento, incentivando emprego e consumo. No entanto, há um trade-off: juros mais baixos também tornam o país menos atrativo para operações de carry-trade, principalmente se ele for emergente.

Carry-trade é a prática de pegar dinheiro emprestado a juros em um país com uma taxa menor e emprestar para países que possuem taxa de juros maior. Com isso, um país com taxa de juros mais atrativa e risco controlado tende a ter mais operações deste tipo, o que aumenta o fluxo de dinheiro estrangeiro no país, apreciando sua moeda.

O México se tornou o país preferido dos estrangeiros para esse tipo de operação, pois oferece uma taxa de juros atrativa com um risco-país moderado. Por outro lado, o Brasil ficou para trás.

No Brasil, a taxa de juros caiu de 14,25% para 4,75% em 1 ano. O risco-país está nos menores níveis dos últimos anos, com a dívida pública voltando a cair. Mas mesmo assim, a moeda brasileira vem sofrendo. Só em 2020, o Real desvalorizou 15% frente ao Dólar. Será que o governo perdeu o controle ou está desvalorizando sua moeda artificialmente?

dólar subiu mais de 15%
Dólar vem em alta de mais de 15% no ano. Fonte: TradingView

Só corte de juros não é o suficiente

Zeina Latiff, ex-economista-chefe da XP disse ao Brazil Journal: “Não será a Selic baixa que irá salvar a indústria e acelerar investimentos, e sim as reformas estruturais. As lideranças da indústria por décadas erraram o alvo das críticas”.

As reformas estruturais seriam necessárias para aumentar a segurança jurídica, diminuir a burocracia na hora de empreender e simplificar a tributação. Esses são os maiores gargalos para o setor privado no país. 

O empresário tem milhares de preocupações mais importantes, a última delas será se a Selic está a 5% ou a 10%. Enquanto o governo achar que é só diminuir juros, ignorando reformas essenciais, a economia continuará no “PIBinho”.

“Quer apostar contra o Real? Pode vir!”

Essa foi a frase dita por Paulo Guedes no final de 2019. De fato, o Banco Central do Brasil tem um estoque de mais de US$ 100 bilhões em reservas internacionais. O Brasil é um dos maiores compradores de títulos de dívida do governo norte-americano.

“Pode vir especular. Se estiver a R$ 4,20, R$ 4,50 e até a R$ 5,00, vamos vender”, também foi outra frase proferida por Guedes. Até o momento, o mercado não se assustou com o Banco Central e está ganhando na queda de braço. Banco Central muda a tendência do dólar? Até o momento não foi o que aconteceu.

Nossa política cambial é flutuante: o mercado define o preço do dólar. Até o momento, o dólar flutuou, mas seguindo ladeira abaixo. Até o Donald Trump ficou desconfortável com a desvalorização da moeda brasileira, acusando o Brasil de depreciar o Real artificialmente.

Pelo que parece, o governo brasileiro ainda não perdeu o controle do Dólar, pois está deixando-o flutuar. O problema é achar que vai continuar crescendo só cortando a Selic, se for isso, não faltará muito para o Dólar ficar fora de controle.

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