Hoje já não é mais nenhum exagero afirmar que não faz mais sentido sair de casa para resolver qualquer problema relacionado ao seu dinheiro, exceto quando precisa sacar em espécie em algum caixa 24h, daqueles vermelhinhos que ficam em farmácias, praças e padarias.

A questão bancária e de dinheiro no Brasil ainda é bem forte. As pessoas precisam confiar em alguém. Com tantos golpes circulando na praça, confisco de poupança do Fernando Collor e desinformação, os funcionários de banco se tornaram a principal fonte de confiança. 

Apesar destas duas fortes questões, o cenário vem mudando bem rápido nos últimos 10 anos. Tecnologia, nova geração e inovação são os três motores dessa mudança. Começou com cartões de crédito sem anuidade e está passando por contas digitais que não cobram por transferência e empresas que conseguem processar pagamentos com custo mínimo.

Muitas pessoas estão deixando suas finanças 100% digitais. Eu mesmo já não sei o que é ir até o banco para fazer um investimento, pagar uma conta, sacar dinheiro e pegar fila. A questão é, não faz mais sentido ficar em filas, isso é um desperdício de tempo para você e dinheiro para os bancos.

Volta e meia a Caixa Econômica Federal de minha cidade fica assim.

Não só eu, mas muitas pessoas e bancos já mudaram para o digital em praticamente tudo: atendimento, investimento, cadastro, depósitos e pagamentos. Hoje só é preciso sair de casa para sacar algum dinheiro para deixar na carteira, embora ele esteja sendo de fato cada vez menos utilizado.

banco inter finanças digitais
Aplicativo do Banco Inter

Mas a questão é: a desinformação ainda é grande. Nem todo mundo sabe que dá, ou como fazer isso. E essa questão ficou ainda mais evidenciada com as insanas filas para pegar o auxílio na Caixa Econômica Federal. Só aqui na minha cidade (Queimados, RJ), formou-se uma fila de 5 mil pessoas, gente chegando de madrugada. 

Não querendo soar arrogante, mas hoje, isso não faz mais sentido. Principalmente para pessoas que têm um smartphone e um acesso mínimo à internet. Atualmente, é possível manter uma conta bancária de forma 100% gratuita e digital. Esse movimento está acontecendo de forma tão rápida, que já colocaram a porta giratória do banco no museu.

banco no museu
Nubank coloca porta giratória do banco no museu.

Como digitalizar suas finanças

Para começar a digitalizar sua vida financeira, o primeiro passo a ser tomado é escolher um banco que tenha conta digital por aplicativo, de preferência que tenha taxa de manutenção e tarifas de transferências zeradas. Alguns bancos tradicionais como Caixa e BB oferecem pacotes especiais, mas que são bem limitados.

Falando em segurança e credibilidade, os “bancões” de fato são alternativas superiores. Mas quando se fala em custos e qualidade de atendimento, bancos digitais como Nu Conta, PagBank e Banco Inter oferecem um serviço bem melhor e mais atrativo para quem não quer muito gastar dinheiro com anuidades e tarifas.

Conheça as principais opções de bancos digitais:

Na maioria deles é possível abrir conta pela internet e receber a resposta ainda no mesmo dia. Quando escolher a opção e criar a conta, é só esperar o cartão de crédito/débito chegar pelo correio, fazer a portabilidade de salário (ver com o RH de sua empresa se for assalariado) e começar a usar normalmente. 

Eu, por exemplo, tenho conta também no Banco Inter, no Itaú e no Banco do Brasil. Migrei minhas finanças para o digital lá em 2017, começando pelo Banco do Brasil. Desde então consigo pagar contas, transferir gratuitamente para todos os bancos e sacar dinheiro em caixas 24h, como em qualquer outro banco comum.

A diferença é que consigo fazer isso de casa e em menos de 10 minutos, o que já não é o caso de quem ainda não migrou para o digital: tem que pegar fila em lotérica e banco. Portanto, não faz sentido perder tempo com essas tarefas básicas se você tem um smartphone com uma conexão mínima de internet.

Organizando suas finanças e investindo

Também não existe mais motivo para ter aquele caderninho à tiracolo para anotar suas finanças. Se você tem uma conta bancária, é possível baixar aplicativos como o GuiaBolso e Olivia AI. Eles lêem suas transações feitas com o cartão, anotam, organizam e ainda dão sugestões para ajudar você a gerir suas finanças. 

Tem gente que não gosta, pois acreditam que isso tire um pouco de privacidade. E de fato, isso é um problema destes apps. Mas para quem prefere comodidade, estes apps são excelentes para construir um melhor orçamento e possibilitar até investir.

Por falar em investimentos, eles também são motivos de muitas “idas” aos bancos. Hoje é possível investir com corretoras como Warren, que já conseguem indicar os melhores investimentos de acordo com seus objetivos e aptidão ao risco. 

Novamente, tudo digital, sem precisar sair de casa, o que é importante ainda mais em tempos de pandemia. Da conta do seu banco, para a conta da corretora, que vira investimento. E não seria exagero afirmar que isso poderia ser feito em menos de 30 minutos.

As principais dúvidas de ter uma conta digital

A ideia de um banco sem agência ainda é estranha para muitas pessoas. Perguntas como “Como vou depositar e sacar dinheiro?”, “Se der problema como resolvo?” ou “E se esse banco sumir?”. A ideia aqui retoma ao que foi falado no começo do texto: pessoas querem ter alguém para confiar ou reclamar.

Essa é a maior barreira dos bancos digitais. Responder essas perguntas é bem fácil, mas ainda assim, as pessoas ficam desconfiadas. Novidades sempre causam desconfiança, foi assim com a lâmpada, com os carros e com a internet. A questão é que quando todo mundo usa, ninguém quer mais largar.

Mas já tratando rapidamente destes temas: depósitos podem ser feitos através de boletos, transferências ou portabilidade de salário, os saques podem ser feitos com cartões em caixas automáticos 24h (os vermelhinhos) disponíveis em todo brasil, e o atendimento pode ser feito no app ou telefone.

Sobre a parte de “E se sumirem com meu dinheiro?”, tenha em mente que não é qualquer “zé da esquina” que pode abrir banco, pegar seu dinheiro e sumir. Esse setor é bem difícil de entrar no Brasil. Essas instituições precisam ser autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil, também conhecido como “Banco dos Bancos”. 

Mas sim, um banco pode ir à falência. Nesse caso, há o Fundo Garantidor de Crédito que cobre até R$ 250 mil por CPF. Contudo, vale lembrar que bancos digitais devem ser utilizados em sua maioria para tarefas cotidianas, e não para guardar todo o dinheiro de sua vida. 

Para evitar correr esse risco, é bom dividir o dinheiro em diferentes bancos. Hoje, se você tem um smartphone, não existem mais motivos para não tornar suas finanças 100% digitais.

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