Camila Russar

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Designer, marketeira de produto e apaixonada por escrever textos sobre tecnologia e startups.

Como os brasileiros investem hoje pode ser um grande reflexo da crise que estamos vivendo. E, o mercado de Bitcoin vem se consolidando ainda mais neste cenário. O volume de Bitcoins negociados nas corretoras vem crescendo de forma consistente.

As corretoras brasileiras de Bitcoin declararam ter movimentado 395,209.48 Bitcoins de 01/04/2019 a 31/03/2020 que, na cotação de 31/03/2020, de R$ 32.950,97, equivale a pouco mais de R$ 13 bilhões. Só no primeiro trimestre de 2020, o mercado transacionou 93,653.57 Bitcoins, chegando a movimentar R$ 3 bilhões considerando a mesa cotação.

E os números vêm crescendo. Em 2015, o mercado movimentou R$113 milhões, em 2017, R$8,3 bilhões, em 2018, R$ 6,79 bilhões. Em um espaço de 5 anos, o mercado cresceu mais de 11.000% em volume.

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Mas como os brasileiros investem em bitcoin?

Fizemos uma pesquisa com o objetivo de entender mais sobre os investidores do ecossistema de Bitcoin do Brasil. Quem é esse investidor? Por onde investe? Quanto de sua renda reserva para seus investimentos? Estas são algumas das perguntas que respondemos com o estudo “Como os brasileiros investem?” desenvolvida pelo Investificar. 

Neste ano, tivemos várias mudanças no cenário econômico no Brasil e no mundo. Essas variações do mercado ocasionaram em novos padrões de investimentos. Podemos apontar uma das mudanças como a maior adesão à investimentos de renda variável. Em maio, a bolsa brasileira atingiu a marca de 2,38 milhões de pessoas cadastradas, acumulando um crescimento de mais de 40% quando comparado ao mesmo mês em 2019. 

Mas, será que essas mudanças repercutiram no ecossistema de bitcoin? Quanto dos investidores de bitcoin também separam uma porcentagem de sua carteira para as ações e índices? 

Com apoio da Nox Bitcoin, da Binance, do Distrito e do Portal do Bitcoin, coletamos 451 respostas que nos ajudam a entender sobre esse padrão de investimentos. O que essas pessoas nos contaram? Confira o resultado da pesquisa abaixo. 

Participantes 

A pesquisa foi realizada via formulário, portanto, todos que receberam o link puderam participar. O estudo foi realizado de forma anônima e os dados coletados não foram associados aos respondentes. 

Dos 451 respondentes, 168 eram de São Paulo e os 283 restantes de todo o Brasil. A maioria dos respondentes (30,2%) possuem renda entre R$ 2.000 e R$ 5.000, seguidos 23,9% com renda de até R$ 2.000. Mais de um quinto dos entrevistados (22,4%) têm renda entre R$ 5.000 e R$ 10.000 e 23,5% recebem mais que R$ 10.000. 

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A maioria dos respondentes tem entre 26 e 55 anos: 

  • 12,4% 26 a 30 anos;
  • 15,6% 31 a 35 anos;
  • 14,5% 36 a 40 anos;
  • 11,9% 41 a 45 anos;
  • 11,9% 46 a 50 anos;
  • 9,3% 51 a 55 anos.

Mas e aí? Todas essas pessoas investem?

Das 451 pessoas entrevistadas, 91,4% afirmam já investir. Dos que ainda não investem, 84,6% demonstram interesse em começar. Podemos inferir destes dados que, por estarem inseridos em um ambiente de criptomoedas, já conhecem mais sobre outros tipos de investimentos e também já confiam no Bitcoin como um bom investimento para sua carteira (81,3% investem em Bitcoin). 

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Dos investidores entrevistados, 46,7% se consideram moderados e 34,6% agressivos. Quanto à porcentagem de sua renda que destinam aos investimentos, 53% das pessoas ficam entre 0 e 20%, 23,2% entre 21% e 40% e temos um grupo bastante privilegiado (10,7%), que consegue investir mais de 60% de sua renda. 

A aposentadoria é o objetivo queridinho de 32% dos investidores. E, ficar rico, é o segundo objetivo da lista, para 28,4% das pessoas.

Quantos a B3 atrai?

As ações são o terceiro ativo mais investido na lista, contando com a presença de 40% dos investidores. O primeiro do ranking é o Bitcoin (81,3%) e, o segundo, as altcoins (52,6%). Um grande parte das pessoas que investem em ações (81%) também investem em Bitcoin. 

Por onde fazem seus investimentos?

A grande maioria dos investidores (66,1%) utilizam corretoras para investir. Os bancos digitais vêm em segundo e os tradicionais em terceiro.

O computador é usado para realizar os investimentos por 60% das pessoas e, também é o preferido para isso pela maioria (64,7%). Os smartphones ficam em segundo lugar, mas não esquecidos, com 40% do uso e 35,3% de preferência. 

Os investidores afirmam estar satisfeitos com suas plataformas de investimentos (80%). Os principais motivos são: transparência, grande oferta de produtos de investimento e usabilidade. 

Para os outros 20% que estão insatisfeitos, os principais motivos são: cobrar taxas (41 pessoas), ter uma comunicação ruim (32 pessoas) e atendimento ruim (30 pessoas).

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O que sentem falta no mercado?

Quando questionados sobre o que sentem falta no mercado brasileiro de investimentos, os entrevistados responderam: acesso a mercados estrangeiros, transparência, educação financeira, melhores taxas e segurança. 

A Educação financeira recebeu uma atenção especial. Comentários sobre a qualidade e forma como as informações são passadas hoje, trouxeram uma realidade de controle de informação e falta de clareza nos conteúdos. 

“Educação Financeira. Geralmente o Brasileiro entra no mercado de investimentos sem entender sobre Educação financeira.”

“Ser mais didática com uma linguagem mais adequada a investidores iniciantes e menos prolixa, ou seja, com textos mais resumidos.”

Ainda sobre a educação financeira

Mais de 85% de todos os participantes afirma acessar conteúdos de educação financeira. A maioria deles (56,4%), o faz diariamente. 

Notícias (79,8%), vídeos (77,1%) e cursos online (49,3%) são os tipos de conteúdos preferidos. E, o computador ainda é o mais utilizado para acessar conteúdos educativos, mas o smartphone vem bem perto, com 46,8% dos acessos. 

Os participantes do ecossistema de Bitcoin já estão todos no mundo dos bancos digitais?

A maioria dos participantes da pesquisa (80,9%), mesmo quem ainda não investe, afirma possuir uma conta digital. O Nubank está em primeiro lugar como o mais utilizado, com 219 pessoas, seguido pelo Inter, com 150. Dos que possuem a conta, 76,7% afirmam que a usam constantemente. 

E o coronavírus?

Mais de 300 pessoas nos contaram que o coronavírus impactou suas vidas, algumas em suas estratégias de investimentos e outras, com merda de emprego e fonte de renda. Alguns passaram a investir mais em renda variável e aumentaram os investimentos expostos ao dólar e outros, infelizmente, ficaram sem renda e sem receber por trabalhos já realizados. 

Acesse a pesquisa completa

Compilamos os dados do estudo “Como os brasileiros investem?” em uma apresentação e está disponível para download por aqui:


 

 

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