Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Informações de G1 e CBC

O Cirque du Soleil anunciou nesta segunda-feira (29/jun) que entrou em um programa de recuperação judicial no Canadá para se proteger de seus credores e tentar evitar a falência.

A produtora de espetáculos com sede em Montreal se encaixou em uma lei federal canadense que ajuda empresas insolventes que têm dívidas acima de US$ 5 milhões a reestruturar seus negócios.

O pedido de recuperação cita os diversos espetáculos cancelados pelo mundo por causa da pandemia no novo coronavírus. A companhia de entretenimento foi fundada em 1984 no Canadá e ficou famosa no mundo com espetáculos que misturam circo, dança, música e efeitos audiovisuais.

Segundo a rede de TV dos EUA CNN, a empresa já demitiu mais de 3.500 mil funcionários. As estimativas do mercado americano é de que as dívidas totais da companhia cheguem a US$ 1 bilhão.

A empresa fechou 44 espetáculos pelo mundo em março. O acordo inclui um investimento de US$ 200 milhões do governo canadense e mais US$ 100 milhões para tentar continuar as operações da empresa enquanto ela se reestrutura.

O fluxo de receita da empresa foi devastado pela pandemia, que a forçou a interromper dezenas de produções em todo o mundo. Em um comunicado à imprensa, a empresa disse que o Tribunal Superior de Québec ouvirá seu pedido de proteção contra falência amanhã. Se concedida, a empresa disse que também buscará proteção contra falência nos Estados Unidos. 

“Nos últimos 36 anos, o Cirque du Soleil tem sido uma organização altamente bem-sucedida e lucrativa. No entanto, com zero receita desde o fechamento forçado de todos os nossos shows devido ao COVID-19, a gerência teve que agir decisivamente para proteger o futuro da empresa, “, disse o presidente e CEO Daniel Lamarre no comunicado.

Como parte do plano de reestruturação, a empresa firmou um contrato que a venderá a um grupo de investidores existente que inclui o gerente de fundos de pensão de Québec, a Caisse de dépôt et placement du Québec. 

A ala de investimentos do governo de Québec (Investissement Québec) fornecerá US$ 200 milhões em financiamento de dívidas para ajudar na compra. Sob os termos do acordo, o grupo assumirá o passivo do Cirque e investirá US$ 300 milhões nos EUA. O acordo, conhecido como acordo “opção de compra”, exige aprovação do tribunal.

O acordo também inclui compromissos para manter a sede da empresa em Montreal e fornecer US$ 15 milhões em apoio a 3.500 funcionários que serão demitidos permanentemente. 

O Cirque disse que pretende recontratar uma “maioria substancial” dos trabalhadores demitidos quando as condições dos negócios melhorarem.

Indústria do entretenimento sofre duro golpe

O Coronavírus vem atingindo pesadamente as receitas das indústrias de entretenimento como cinema, casas de show, bares, teatros e esportes. Nem todos os negócios conseguem migrar para a internet e os que conseguem, não atingem nem de perto a receita que tinham antes da pandemia.

Disney sofre duro golpe no faturamento com Coronavírus

Em um negócio, ter fluxo de caixa é essencial para dar oxigênio às finanças. O problema é que o Coronavírus interrompeu uma cadeia inteira de distribuidores e clientes de muitas empresas. Com isso, falências e demissões se tornam cenas comuns em crises econômicas.

No Brasil, o pedido de falências subiu 30% em Maio. Muitas empresas estão recorrendo a categorias especiais de empréstimos com juros reduzidos e prazos maiores para conseguir oxigenar o caixa. Além disso, empresas que demitem tendem a recontratar a mesma equipe quando a demanda retornar, embora não se saiba quanto tempo isso pode levar.

Hoje, a epidemia já está controlada na Ásia e na Europa, e isso pode trazer esperança para o Cirque du Soleil. No entanto, os casos continuam crescendo em países como Estados Unidos e Brasil.

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