Lucas Bassotto

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Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Depois da tempestade, a bonança. O Bitcoin, no dia 12 de março, viveu um dos seus piores dias da história em questão de preço, uma queda de 45% em um único dia, seguindo a tendência de todos os mercados do mundo. O Coronavírus deu um duro golpe na carteira de quase todos os investidores.

O Ibovespa, índice do mercado de ações brasileiro, caiu 52% em relação à sua máxima história. O VIX, tido como uma espécie de índice do medo, chegou a níveis superiores do que aqueles vistos durante a crise de 2008. Investidores que estavam alavancados perderam quase todo seu dinheiro ou precisaram vender tudo para cobrir as perdas.

Nos dias mais agudos, todos os ativos caíram de preço, até mesmo o Ouro, visto como ativo de proteção contra essas ocasiões. Com isso, a tese de que Bitcoin seria um ativo contra crises passou a ser amplamente questionada. Contudo, a resposta veio rápida: em pouco mais de 1 mês, o ativo apagou sua perda e já está no lucro.

Bitcoin sobe 107% desde o dia 12 de março

Puxado principalmente pelo dólar, o preço do Bitcoin no Brasil subiu de R$ 23.740 para pouco mais de R$ 49.000, acumulando uma alta de 107%. Vale ressaltar que essa forte alta de preço também teve a colaboração do dólar, que subiu 14,5% no mesmo período. Mas de modo geral, o Bitcoin se recuperou rapidamente do seu pior momento.

Quando consideramos todo o ano de 2020, podemos constatar que o Bitcoin está em uma alta de 67,76% quando cotado em Reais. O Ibovespa, no mesmo período, acumula uma baixa de 29,86%. Apesar de ter sofrido uma queda intra-diária forte, muitos investidores ainda continuam confiantes de que o Bitcoin poderá ter um valor ainda maior para o futuro.

Bitcoin vs Ibovespa

Linha azul – Ibovespa vs Linha laranja – Bitcoin. Fonte: Tradingview

Entre os investidores, está Luís Stuhlberger, gestor do Fundo Verde, um dos maiores fundos hedge do Brasil. Sua tese é de que ativos escassos como Ouro, Terra, Imóveis e Bitcoin podem começar a ter maior valor diante de uma política econômica mundial de emissão de dinheiro como nunca antes visto na história.

De fato, a tese de que Bitcoin pode servir como um ativo de proteção de carteira pode ter sido mal interpretada. Quem busca ativos inversamente correlacionados com o mercado de ações, deveria buscar uma posição vendida no bolsa de valores. Ativos como Ouro e Bitcoin são muito mais voltados para uma visão de longo prazo, não de choques de curto prazo.

Além disso, em uma iminente crise de liquidez, investidores buscam ter dinheiro em caixa, fazendo o preço de todos os ativos cair. Nestes choques de curto prazo, é inevitável que todos os ativos tenham queda de preço.

Halving na porta

Faltam 12 dias para que o Bitcoin se torne um dos ativos mais escassos hoje. Isso significa que todos estão em contagem regressiva para que o Halving, evento programado a cada 4 anos para cortar pela metade a emissão de novos Bitcoins. Atualmente são criados 12,5 Bitcoins, após o halving serão emitidos apenas 6,25.

Há de fato um grande debate sobre a questão de o Halving, por ser uma informação pública, já estar sendo incorporado no preço, seguindo a Teoria do Mercado Eficiente. E que por isso, o preço do Bitcoin não tenderia a subir com antecedência ou depois do acontecimento do evento.

Contudo, isso não é o que está sendo observado. Embora as demandas de busca no Google por “Bitcoin” não estejam altas, as demandas de busca por “Bitcoin halving” estão na maior alta desde 2017, o que mostra pessoas talvez comprando o ativo para se antecipar à escassez programada. 

Buscas por Bitcoin no Google Trends

buscas por halving do bitcoin

O fato é que o Halving não poderia vir em melhor momento, pois enquanto Bancos Centrais emitem dinheiro de forma nunca antes vista, o Bitcoin vem na contramão, cortando pela metade sua emissão. Por isso, o ativo passa a ganhar cada vez mais atenção como “reserva de valor”, e com isso, ganhando espaço na carteira dos investidores institucionais.

“Encarteiramento” de Bitcoin em alta

Enquanto o Bitcoin ainda se mantém na mesma escala de escassez, o encarteiramento vem aumentando. 

Segundo a Coindesk, o número de endereços com pelo menos 0.1 Bitcoins vem aumentando consistentemente. Isso significa que o Bitcoin vem subindo com um fluxo real de compradores, e não por instrumentos de alavancagem.

Endereços de Bitcoin com menos de 0.1 BTC

endereços de carteira de bitcoin
Fonte: Coindesk

Vale lembrar que a Grayscale, empresa gestora de um produto que replica o Bitcoin, vem aumentando de forma acelerada sua custódia de ativos. Atualmente, a empresa está com uma custódia de US$ 2,6 bi em Bitcoin. A Grayscale é muito utilizada por investidores institucionais como hedge funds e family offices, por exemplo.

No momento, o Bitcoin está em uma tempestade perfeita: um ativo escasso que está sendo encarteirado no meio de um mundo que esqueceu a escassez. Os fundamentos estão excelentes e refletem uma ativo em maturação que conseguiu sair mais forte do que entrou na crise do Coronavírus. Nunca foi tão urgente comprar Bitcoin.

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