Lucas Bassotto

Escrito por

Author

Economista, trader e especialista em conteúdo sobre economia, finanças e criptomoedas.

Sem os líderes globais trabalhando juntos para gerenciar as consequências da pandemia de coronavírus, o sofrimento econômico e o descontentamento social aumentarão nos próximos anos, de acordo com uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial.

A pesquisa com quase 350 profissionais de risco, divulgada nesta terça-feira pelo fórum de Genebra constatou que a maioria estava preocupada com o impacto econômico após o surto. 

Dois terços dos entrevistados disseram que uma recessão global prolongada é a principal preocupação para os negócios, enquanto mais da metade afirmou que as falências e a consolidação do setor foram as mais altas da lista.

“A crise devastou vidas e meios de subsistência. Provocou uma crise econômica com implicações de longo alcance e revelou as ineficiências de hoje”, disse Saadia Zahidi, diretora administrativa do Fórum Econômico Mundial. 

“Os líderes devem trabalhar uns com os outros e com todos os setores da sociedade para enfrentar os riscos conhecidos emergentes e criar resiliência contra o desconhecido”.

Em todo o mundo, 500 milhões de pessoas correm o risco de entrarem na pobreza desde o surto e 80% dos estudantes em todo o mundo estavam fora da escola em março, segundo o relatório. Além disso, a produção mundial deverá cair 3% e o investimento direto estrangeiro em diversos deverá cair entre 30% e 40%.

As implicações do alto desemprego e os lockdowns contínuos podem ter um efeito devastador na tanto na saúde quando na economia – para cada aumento de 1% no desemprego, há um aumento de 2% nas doenças crônicas, mostrou o relatório. E 34% dos adultos estão sentindo efeitos adversos em sua saúde mental durante o confinamento, segundo os dados.

Aqui estão os 10 cenários de mais graves para a economia global ​​que os profissionais de risco vêem decorrentes da pandemia no próximo ano e meio, classificados do mais para o menos grave.

10. Recessão prolongada da economia global

“Os entrevistados acham que os riscos econômicos em geral – uma recessão prolongada da economia global em particular – são as consequências mais prováveis ​​e preocupantes para o mundo e as empresas nos próximos 18 meses”, escreveu o WEF no relatório.

“O COVID-19 diminuiu a atividade econômica, exigiu trilhões de dólares em pacotes de resposta e provavelmente causará mudanças estruturais na economia global no futuro, enquanto os países planejam recuperação e reavivamento”.

9. Série de falências (de grandes empresas e PMEs) e uma onda de consolidação da indústria

“Um acúmulo de dívida provavelmente sobrecarregará os orçamentos governamentais e os saldos corporativos por muitos anos, as relações econômicas globais poderão ser reformuladas, as economias emergentes correm o risco de mergulhar em uma crise mais profunda, enquanto as pequenas empresas podem enfrentar consumo, produção e concorrência cada vez mais adversos.”, disse o WEF no relatório.

A concentração de mercado em grandes empresas também pode ser uma tendência, aumentando o abismo de eficiência e produtividade entre empresas gigantes em seus setores e pequenas empresas.

8. Falha de indústrias ou setores em certos países em recuperar adequadamente

As companhias aéreas são um setor afetado pela pandemia, pois todas as viagens não essenciais foram proibidas para conter a propagação da doença. Especialistas e analistas acreditam que levará cinco anos para a indústria se recuperar e que algumas companhias aéreas não sobreviverão.

7. Níveis elevados de desemprego estrutural (especialmente os jovens)

Em abril, os EUA bateram um recorde de 20,5 milhões de empregos e a taxa de desemprego atingiu 14,7%, a maior desde a Grande Depressão. As demissões continuaram – em apenas oito semanas, 36,5 milhões de americanos entraram com um pedido de seguro-desemprego.

O desemprego entre jovens no Brasil já chega a 27,1%, segundo o IBGE. Além disso, as previsões para este dado aplicado à toda População Economicamente Ativa sugerem que o desemprego chegará a 17,8%.

6. Restrição mais rigorosa à circulação transfronteiriça de pessoas e bens

Em março, os EUA e o México concordaram em limitar as viagens não essenciais na fronteira sul para conter o coronavírus. Os EUA já haviam fechado sua fronteira com o Canadá pelo mesmo motivo. O mesmo pode acontecer entre diferentes países.

5. Enfraquecimento da situação fiscal nas principais economias

Em todo o mundo, os bancos centrais têm facilitado a política fiscal para ajudar as consequências econômicas da pandemia de coronavírus. Embora a ajuda seja necessária agora, isso significa que os bancos centrais terão menos munição se houver mais consequências econômicas no futuro.

Nos EUA, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que pode ser necessário mais apoio para salvar o país de danos econômicos duradouros. O problema disso é a conta que chega para as futuras gerações.

No Brasil, o endividamento em relação ao PIB chegará em 100% em 2021. Isso significa que tudo o que o Brasil produz em 1 ano, será apenas para pagar dívidas.

4. Interrupção prolongada das cadeias de suprimentos globais

As empresas viram mudanças e rupturas em suas cadeias de suprimentos em relação ao coronavírus e uma mudança na demanda por certos bens em meio à pandemia. Levará um tempo para que a cadeia de suprimentos possa se readequar às mudanças tanto na economia quanto nas demandas.

3. Colapso econômico de um mercado emergente ou economia em desenvolvimento

Em uma entrevista recente, o ganhador do Nobel, Paul Krugman, disse que os mercados emergentes estão caindo em armadilhas de liquidez e podem esgotar sua melhor defesa contra uma recessão profunda.

Uma armadilha de liquidez acontece quando o Banco Central reduz juros de forma seguida e esta redução de juros não traz impactos positivos no crescimento da economia. 

“Não há nada na lógica de uma armadilha de liquidez que diga que isso não pode acontecer em um país desenvolvido”, disse Krugman à Bloomberg em entrevista na sexta-feira.

2. Ataques cibernéticos e fraudes de dados devido a uma mudança sustentada nos padrões de trabalho

Os ciberataques com tema de coronavírus já estão ocorrendo em meio à pandemia. Nos EUA e no Reino Unido, alguns desses ataques foram direcionados a profissionais de saúde e pesquisadores que trabalham para combater o vírus.

O aumento de fraudes generalizadas também é uma preocupação. Empresas podem começar a forjar seus números para reportar falsos lucros ou prejuízos menores. Em tempos que antecedem crises, os índices de fraude tendem a disparar.

1. Outro surto global de COVID-19 ou outra doença infecciosa

À medida que países ao redor do mundo começam a reabrir lentamente, a ameaça de uma segunda onda de casos de coronavírus é lembrada. Nos EUA, um economista da Moody’s previu que uma segunda onda de COVID-19 mergulharia o país em uma depressão.

A segunda onda é o maior medo na atualidade, pois pessoas que pegaram COVID-19 e se curaram já estão pegando de novo. A vantagem é que dessa vez haverá uma infraestrutura melhor, criada por governos em um esforço de guerra.

Traduzido e adaptado de Business Insider

Write A Comment